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 MÚSICO/ BANDA/ ENSEMBLE/ ALBUM DA SEMANA (05) 

 
★★★★ - Tomeka Reid Quartet - Dance! Skip! Hop! (Out Of Your Head, 2026)
A violoncelista Tomeka Reid —— agraciada em 2022 com uma bolsa "genius grant" da Fundação MacArthur —— é uma das figuras incontornáveis do jazz contemporâneo e ela inicia o ano de 2026 já com esse petardo de empolgante audição, desta vez com um foco rítmico. Gravado no segundo semestre de 2025 no estúdio The Brink, em Richmond, Virgínia, e mixado e masterizado no Firehouse 12, em New Haven, Connecticut, este álbum tem sua data de lançamento confirmada para 13 de fevereiro de 2026 pelo selo Out Of Your Head Records. O nome do álbum é Dance! Skip! Hop!, e a ideia de gravá-lo surgiu a partir de uma inspiração que Tomeka teve ao ouvir o álbum A Dance and a Hop (2015), do cornetista Josh Berman, seu colega da cena de Chicago. A essa inspiração, a cellista juntou lembranças advindas da história de sua família, entre outras inspirações pessoais, e a partir daí teve todas as ideias de que precisava para compor cinco peças expansivas para o seu Tomeka Reid Quartet, formação que celebra mais de uma década de sinergia criativa, aqui mantida com Mary Halvorson (guitarra), Jason Roebke (contrabaixo e manipulação de fita cassete) e Tomas Fujiwara (bateria). Este álbum é, pois, o quarto álbum da banda e traz uma mistura de elementos camerísticos, free jazz, temáticas da ancestralidade, efeitos, ritmos e pulsos de grooves ímpares. Todas as cinco composições originais foram escritas por Tomeka. A faixa-título "Dance! Skip! Hop!", que abre o álbum (com 10:13 de duração), funciona como um chamamento que articula células rítmicas ímpares, mudanças abruptas de intensidade e densidade e uma sensação contínua de deslocamento. Já a peça "a(ways) For CC and CeCe" é dedicada a figuras centrais da história familiar da compositora e reforça o eixo afetivo e memorial que a inspirou a gestar esse projeto, acentuando profundidade e ecos advindos da "creative black music" da AACM. Não à toa, a inspiração familiar de Tomeka Reid é explicitada na capa com imagens de sua bisavó Francis, de sua avó Estelle e de sua tia-avó CeCe, e essa segunda faixa também homenageia Clarence James (também conhecido como "CC"), uma figura assídua da cena de jazz experimental de Chicago, frequentador e entusiasta do lendário clube Velvet Lounge, fundado pelo saxofonista Fred Anderson. Já a faixa "Oo Long!" foi inspirada no pequeno restaurante Soba-An, de Düsseldorf: a cellista visitou o local diversas vezes enquanto era "Artista Residente" no prestigiado Moers Jazz Festival, e as lembranças geográficas, culturais e culinárias desse local a inspiraram a escrever essa peça, que explora contrastes entre repetição, suspensão e intervenções tímbricas inesperadas. Segue-se "Under the Aurora Sky": nomeada pelo marido da cellista, essa peça explora texturas mais etéreas e coloridas, como as nuances de uma aurora boreal. O álbum se encerra com a faixa "Silver Spring Fig Tree", que é uma homenagem a Steve Feigenbaum, fundador do legendário selo Cuneiform Records, e também faz referência à cidade de Silver Spring, onde Tomeka deu seus primeiros passos no violoncelo. É a partir dessas peças e dessas inspirações que este álbum apresenta uma paleta expandida de técnicas, entrelaces de cordas, arranjos e improvisos instigantes, nos quais o cello de Tomeka Reid transita continuamente entre linhas líricas, articulações percussivas, pizzicatos, acordes em cordas duplas, uso do arco e texturas afins, dialogando assim com as modulações eletrificadas via pedais de efeitos, harmonias assimétricas e ataques angulares da guitarra de Halvorson, enquanto Roebke e Fujiwara constroem uma base que alterna entre pulsações assimétricas, grooves dançantes e instáveis e respostas rítmicas articuladas de forma improvisatória. Já coloco este álbum como um dos candidatos a figurar na lista de "Melhores Álbuns de 2026".

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Facts & News not to Forget 2026: ganhadores do Grammy, Wynton Marsalis e sua saída do JALC, o fim do The Bad Plus

Uma notícia inesperada tem circulado nos veículos de imprensa americana: Wynton Marsalis, o todo-poderoso mandatário do Jazz at Lincoln Center, deixará seu cargo na organização. Por 40 anos, o trompetista e compositor, vindo de um clã musical de New Orleans e ganhando fama em NYC, estabeleceu-se como fundador, diretor musical e gestor do Jazz at Lincoln Center (JALC), consequentemente tornando-se um símbolo do jazz enquanto instituição cultural suprema dos EUA e, mais além disso, conquistando atuação mundial como nenhum outro músico de jazz antes e depois dele. Com o Jazz at Lincoln Center e com a sua respectiva big band, Wynton criou programas e atuou junto a escolas e universidades dentro dos EUA numa amplitude jamais vista e também levou o jazz e toda a sua consciência educacional para  dezenas de países ao redor do mundo, em todos os continentes: estima-se que Wynton e sua big band tenham se apresentado em mais de 300 cidades em seis continentes, tendo tocado em todas as principais regiões do mundo, exceto a Antártida. Essa história começa entre o fim dos anos de 1970 e início dos anos 80, num momento em que o jazz parecia ser um gênero descaracterizado e fadado à extinção, tendo perdido muitos dos seus espaços frente ao rock, pop, ao nascente hip hop, à disco music, ao electro-dance e a outros gêneros, e a partir daí surge uma nova geração de jovens músicos de jazz liderados por Wynton, uma legião de músicos universitários que seria chamada "young lions" e que começaria a resgatar toda a força cultural do jazz como a gênese suprema da identidade cultural americana: o movimento dos young lions, liderado pelo então jovem Wynton, foi tão importante que não seria exagero dizer que, enquanto novo veículo de consciência cultural, ele tenha influenciado indiretamente o Congresso Americano a priorizar a votação do Jazz Preservation Act, uma resolução de autoria do deputado John Conyers Jr, aprovada e promulgada pelo presidente Reagan em 1987 com o objetivo de reconhecer oficialmente o jazz como uma forma de arte americana e estabelecer diretrizes para sua preservação, promoção e educação —— recentemente essa resolução entrou em pauta novamente e seu escopo foi expandido pelo Congresso Americano, ganhando ainda mais amplitude, suporte federal e linhas de financiamento. Naquela fase dos anos 80, o jovem Wynton afiou seu discurso parar criticar a descaracterização do jazz, criticar o racismo institucional, criticar o comercialismo e rebaixamento artístico em torno do pop e do hip hop e suas letras esdrúxulas e pornográficas e incitar o povo americano a defender e assumir o jazz como identidade e gênese, chegando a ser mentorado e apoiado por verdadeiros titãs da cultura, da mídia e da arte: escritores, pintores, cineastas e críticos influentes como Robert O’Meally, Stanley Crouch, Romare Bearden, Albert Murray, Nat Hentoff, Ralph Ellison,  Maya Angelou e o documentarista Ken Burns, entre outros, estabeleceram um verdadeiro cinturão de apoio em torno do trompetista nessa investida para fazer o jazz renascer enquanto herança cultural suprema e conferir ao gênero toda a canonização e respeitabilidade que hoje conhecemos. Em 1986, então, a diretoria do Lincoln Center for the Performing Arts, complexo de edifícios da chamada "alta cultura" em Manhattan, convidou Wynton para criar uma programação de jazz para o verão de 1987 no complexo, programa que se tornou o marco inicial para o que viria a ser o Jazz at Lincoln Center. Com garra, carisma e pulso firme, Wynton Marsalis —— com o suporte de seus patrocinadores, apoiadores e de toda a diretoria do Lincoln Center —— desenhou um perfil em que o jazz emergisse como força cultural a partir, logicamente, da tradição elementar e de suas próprias figuras canônicas, indo de Buddy Bolden, Louis Armstrong e do jazz tradicional de New Orleans ao jazz moderno de Duke Ellington, Charlie Parker, Thelonious Monk e Miles Davis, entre outros mestres icônicos. O problema foi que o senso e o rigor de "purismo" de Wynton e esse script focado totalmente na tradição foram logo chamados de "neoclassicistas" e "elitistas" e o trompetista começou a ser criticado pelos agentes da vanguarda por excluir experimentalistas, fusionistas e músicos de free jazz que romperam os limites desse gênero cultural e musical. Não à toa, Wynton colecionou uma legião de adversários e críticas negativas. Ao longo dos anos, Wynton frequentemente até chegou a adotar briefings e grades mais flexíveis e multiculturais, incluindo diversos músicos e bandas de outros países nas programações do JALC, dando espaço para gêneros diversos que historicamente dialogam com o jazz (samba, bossa-nova, ritmos latinos, afrobeat, e etc) e abrindo espaço para músicos do jazz contemporâneo adeptos do "modern creative", do avant-garde e das vertentes mais progressivas, mas o cerne de sua gestão e a essência da organização mantiveram-se num range praticamente fixo que abrange estilos que vão do jazz tradicional e straight-ahead (o jazz moderno mais purista) até o post-bop contemporâneo. Contudo, o programa deu tão certo que gradualmente evoluiu para se tornar uma organização multimilionária ao lado de outras organizações do complexo tais como a New York Philharmonic, a Juilliard School e o Metropolitan Opera, ganhando uma expansão ano a ano que atraiu investimentos mais do que suficientes para a diretoria do Lincoln Center aprovar a ideia de construir um centro com clube, estúdio de gravação, salas de concerto e espaços educacionais totalmente dedicado ao jazz. Em 2001, então, começou a ser construído o Frederick P. Rose Hall, o complexo e sede multimilionária do Jazz at Lincoln Center que reuniria todos esses espaços e instalações, sendo inaugurado em 18 de outubro de 2004: tratou-se de um novo complexo dentro do complexo de edifícios do Lincoln Center for the Performing Arts totalmente dedicado ao jazz, oferecendo salas educacionais, estúdio e espaços suntuosos como o Rose Theater (uma sala de concertos de padrão sinfônico com 1.200 lugares), o The Appel Room (sala de médio porte com 500 lugares, famosa por sua parede de vidro com vista panorâmica para o Central Park e o skyline de Manhattan), o Dizzy’s Club (clube de jazz intimista, inspirado na tradição dos jazz clubs históricos, com 140 lugares) e o Ertegun Atrium (espaço público e multifuncional localizado na entrada do complexo, com um "jazz hall of fame", áreas para encontros e espaços para recepção, eventos educativos, palestras, exposições e congressos). Sob a direção de Wynton, então, o Jazz at Lincoln Center expandiu de um modesto programa de verão para um complexo multimilionário de suntuosos espaços e instalações totalmente dedicado ao jazz, consolidando-se como uma das mais ricas e influentes organizações culturais do mundo. E agora, o trompetista e compositor, notavelmente uma das figuras mais influentes e polêmicas do jazz contemporâneo, anunciou que deixará o cargo de diretor artístico do JALC, finalizando uma história de 40 anos como manager e principal liderança da organização. A matéria que trouxe a notícia foi publicada no The New York Times em 29 de janeiro de 2026, e agora a informação tem se espalhado pelos mais variados tabloides americanos. Encerrando sua gestão à frente da instituição que ele mesmo fundou em 1987, a ideia de Wynton é fazer uma passagem de bastão gradual, iniciando agora a busca por um novo diretor artístico e finalizando a transição em 2027, quando ele deixará completamente suas funções diretivas. Também sendo diretor musical da big band Jazz at Lincoln Center Orchestra, Wynton permanecerá em suas funções de bandleader durante a temporada 2026–2027 —— que será dedicada à celebração de sua carreira, de seu legado e de suas composições —— e, logo em seguida, a partir de julho de 2027, atuará como consultor junto ao novo diretor que o substituirá, sendo remanejado em 2028 para um assento no conselho da instituição apenas como fundador "em perpetuidade", passando também a ser músico de honra e convidado especial ocasional. (Nada ainda foi dito se Wynton permanecerá como Diretor de Estudos de Jazz da Juilliard School, posto que ele também ocupa desde 2014, mas, provavelmente, ele também passará a cadeira para outro e permanecerá apenas como conselheiro de honra). O conselho do JALC já está, então, formando comitês para uma busca global por novos líderes, incluindo a sucessão artística em diálogo direto com o próprio Wynton, num contexto de renovação completa da cúpula administrativa e artística, já que o diretor executivo Greg Scholl também deixará o cargo em junho de 2026. Seria correto afirmarmos que a intenção da diretoria é, portanto, encerrar uma era e inaugurar uma renovação completa na organização? Ao comentar a transição, Wynton afirmou que a proximidade do 40º aniversário da organização torna este o momento adequado para a mudança, expressando confiança na nova geração de líderes, na vitalidade futura do jazz e na solidez institucional do JALC, sustentada por um fundo financeiro futuramente estimado em cerca de US$ 150 milhões —— uma organização multimilionária que, em termos de aportes, se aproxima e até ultrapassa os orçamentos de muitas das maiores organizações culturais nos EUA e ao redor do mundo. As gerações de fãs e músicos de jazz dessas últimas quatro décadas devem ser gratas a Wynton e respeitá-lo como um titã que conseguiu elevar o jazz a esse prestígio de categoria institucional e mundial. Mas, ao mesmo tempo, para os fãs e músicos de jazz que assistem ao panorama dessas mudanças no JALC, a esperança é que a nova gestão até mantenha seu crivo educacional em torno da tradição do jazz, mas também ofereça um escopo cada vez mais contemporâneo que reflita as evoluções estéticas, a hibridização e a universalidade do jazz no século 21 como um gênero que ganhou tanto respeito institucional quanto alcance mundial. Quanto à nova fase de Wynton, devemos realmente torcer para que agora —— além de curtir mais a sua família (recentemente ele casou com a violinista escocesa Nicola Benedetti, com quem ele teve uma filha em 2024) —— ele tenha mais tempo para se dedicar à composição, aos seus projetos pessoais e para que ele continue a nos impactar com suas peças engenhosas e amplie ainda mais a totalidade de sua obra, tanto no âmbito do jazz quanto no da música erudita, visto que ele é, inquestionavelmente, um dos maiores compositores americanos vivos. Longa vida à Wynton, à sua obra e ao seu legado. Longa vida ao Jazz at Lincoln Center, sua orquestra e suas programações!!!

Outra notícia publicada nos tabloides americanos no final de janeiro de 2026 que nos causou certa nostalgia foi o anúncio, também inesperado, de que os membros fundadores da inovadora banda The Bad Plus decidiram encerrar a longeva trajetória do grupo. O The Bad Plus é um dos combos incontornáveis do jazz contemporâneo, inicialmente atingindo prestígio como um dos piano-trios mais imprescindíveis e inovadores deste início de século 21 e, nos últimos anos, reformulando-se num distinto e psicodélico quarteto configurado com guitarra, sax, contrabaixo e bateria. Formada em Minneapolis, Minnesota, em 2000, a banda se consolidou inicialmente como um trio composto pelo contrabaixista Reid Anderson, o baterista Dave King e o pianista Ethan Iverson, três amigos que já tocavam juntos em diversas formações desde o fim dos anos 1980. Ao longo dos anos 2000 e 2010, o trio ganhou enorme atenção ao combinar jazz contemporâneo e avant-garde com elementos de pop, grunge, hard rock, indie e alt-rock, além de se destacar por covers ousados, desconstruções, inflexões e arranjos jazzísticos enérgicos de temas de artistas e bandas tais como Nirvana, Blondie, Black Sabbath, Heart, Bee Gees, Pixies, Kraftwerk e Aphex Twin, entre outros, criando a partir daí uma identidade sonora de enérgica e marcante densidade e expandindo os horizontes do jazz neste início de século. Podemos dizer que, ao lado de figuras e bandas como Brad Mehldau e seu trio e a banda do pianista sueco Esbjörn Svensson, o The Bad Plus foi uma das bandas inovadoras a expandir o repertório e a miríade do jazz contemporâneo para muito além dos standards e das convencionais pop songs. Frequentemente, a banda também apresentava covers ousados e reinterpretações jazzísticas de peças da música erudita moderna, incluindo peças e excertos de compositores como Milton Babbitt e György Ligeti, além de registrar a releitura completa da emblemática peça The Rite of Spring (A Sagração da Primavera), de Igor Stravinsky. Evoluindo sempre num ciclo inovador de hibridismo pós-moderno, esses arranjos, reinterpretações, inflexões, desconstruções, covers e releituras moldaram o estilo da banda ao ponto das próprias composições autorais dos seus músicos aprimorarem ainda mais essa combinação intrincada de elementos do jazz contemporâneo e da música erudita moderna e avant-garde com elementos de pop, grunge, hard rock, indie e alt-rock. Em 26 anos a banda passou por duas mudanças principais: a primeira formação vigorou de 2000 até 2017, quando o pianista Ethan Iverson deixou o grupo e foi substituído por Orrin Evans; a segunda ocorreu em 2021, quando Anderson e King reformularam o projeto como um quarteto sem piano, incorporando o guitarrista Ben Monder e o saxofonista Chris Speed, a partir daí explorando novas texturas e possibilidades musicais sem abrir mão de sua identidade e distinta densidade sonora. E agora, em janeiro de 2026, após 26 anos de carreira marcados por reinvenção, energia e espírito independente, os fundadores Reid Anderson e Dave King anunciaram que o The Bad Plus encerrará definitivamente sua trajetória, decisão tomada após profunda reflexão e orgulho pelo legado perpetrado em seus mais de 15 álbuns lançados ao logo desses 26 anos. Para marcar esse encerramento, eles planejam uma série de shows e turnês de despedida ao longo de 2026 para celebrar sua música e legado, com datas já agendadas na América do Norte e na Europa, incluindo uma residência em St. Louis, Missouri e apresentações no Festival Internacional de Jazz de Montreal. As despedidas também incluirão uma parceria especial com o grande sax-tenorista Chris Potter e o grande pianista Craig Taborn como um projeto final e em homenagem ao repertório do American Quartet de Keith Jarrett —— uma homenagem ao mestre do piano que precisou se aposentar após sofrer vários AVC's. Assim que o pianista fundador e ex-integrante Ethan Iverson tomou conhecimento da decisão de Reid Anderson e Dave King de encerrar a banda, ele escreveu um artigo em seu blog analisando a trajetória inicial, os álbuns, os covers e as composições emblemáticas lançadas por esse grupo icônico. Leia o artigo 👉 neste link.

Agora no dia 01 de fevereiro de 2026, a cerimônia do Grammy, também conhecido como o Oscar da música, consagrou os indicados e ganhadores do exercício 2024/2025 em mais uma demonstração de diversidade de gêneros e inclusão, equilibrando homenagens póstumas a lendas do jazz com o reconhecimento de alguns dos nomes mais interessantes da cena instrumental internacional. Mesmo que a escolha pelos ganhadores pareça mais conservadora nesta edição, ainda assim as listas apresentaram diversidade e inclusão em seu conjunto. No campo do jazz, o trio formado por Chick Corea, Christian McBride e Brian Blade foi o combo a vencer na categoria de Melhor Performance com a faixa "Windows – Live", que está no álbum Trilogy 3 - Live (Concord, 2024), enquanto a predileção pelo canto de Samara Joy se consolidou com o prêmio de Melhor Álbum de Jazz Vocal por meio do seu álbum Portrait (Verve, 2024). Um dos grandes vencedores foi o contrabaixista Christian McBride, que, além de ter sido premiado na categoria de Melhor Performance ao lado de Brian Blade e o falecido Chick Corea, também ganhou uma estatueta na categoria "Large Ensemble" com seu álbum Without Further Ado, Vol. 1 (Mack Avenue, 2025). Outra premiação merecida e muito comentada é a do fantástico e versátil baterista Nate Smith (foto acima), que levou a estatueta da categoria de "Melhor Álbum de Jazz Alternativo" com o seu álbum intergêneros LIVE-ACTION (2025). Outras grandes surpresas e destaques desta edição foram o pianista Sullivan Fortner, que desbancou favoritos ao levar o prêmio de Melhor Álbum de Jazz Instrumental com Southern Nights (2025), e o duo de cordas e eletroacústica ARKAI, que venceu na categoria Instrumental Contemporâneo com o álbum Brightside (2025). É interessante notar como que, de tempos em tempos, de acordo com as evoluções, as misturas e tendências estéticas e mercadológicas, as nomenclaturas dos prêmios no Grammy mudam, vide as diferenças de termos e nomenclaturas como "melhor álbum de jazz", "melhor álbum de jazz alternativo" e "melhor álbum instrumental": nos últimos anos, devido aos hibridismos pós-modernos, muitos músicos de jazz e de música instrumental em geral já não se prendem mais a um só estilo ou estética, lançando álbuns de eletrônica, misturas de gêneros díspares e propostas alternativas das mais variadas. Ademais, na música erudita contemporânea, quem tem dominado as premiações no Grammy nos últimos anos é a compositora mexicana Gabriela Ortiz, que conquistou as estatuetas de Melhor Composição Clássica Contemporânea por "Dzonot", Melhor Performance de Coro Vocal e Melhor Compêndio Clássico por Yanga (2025). Outra grata surpresa no âmbito da música erudita contemporânea foi o maestro Alan Pierson e seu ensemble Alarm Will Sound, que receberam o prêmio por sua performance da interessantíssima peça "Land of Winter" (resenhada aqui no blog) do aclamado compositor irlandês Donnacha Dennehy. Abaixo temos as listas concernentes ao foco em música instrumental que adotamos aqui no blog, explicitando as nossas apostas e quem, de fato, foram os premiados. Nem sempre acertamos em cheio, uma vez que nossa preferência aqui no blog é por peças e álbuns mais viscerais, progressivos e experimentais. Clique no link ao lado, no tweet da Pitchfork, para acessar a lista completa com os indicados e ganhadores das demais categorias.


Melhor Performance de Jazz

"Windows – Live" – Chick Corea, Christian McBride & Brian Blade 🏆

"Noble Rise" – Lakecia Benjamin Part. Immanuel Wilkins & Mark Whitfield

"Peace Of Mind/Dreams Come True" – Samara Joy

"Four" – Michael Mayo

"All Stars Lead To You – Live" – Nicole Zuraitis, Dan Pugach & Tom Scott


Melhor Álbum de Jazz Vocal

Portrait – Samara Joy🏆

Elemental – Dee Dee Bridgewater & Bill Charlap

Fly – Michael Mayo

Live at Vic's Las Vegas – Nicole Zuraitis, Dan Pugach & Tom Scott

We Insist 2025! – Terri Lyne Carrington & Christie Dashiell


Melhor Álbum de Jazz Instrumental

Southern Nights – Sullivan Fortner Part. Peter Washington & Marcus Gilmore🏆

Trilogy 3 (Live) – Chick Corea, Christian McBride & Brian Blade

Belonging – Branford Marsalis Quartet

Spirit Fall – John Patitucci Part. Chris Potter & Brian Blade

Fasten Up – Yellowjackets


Melhor Álbum de Jazz de Big Band/ Orquestra (Large Ensemble)

Without Further Ado, Vol. 1 – Christian McBride Big Band🏆

Orchestrator Emulator – The 8-Bit Big Band

Lumen – Danilo Pérez & Bohuslän Big Band

Basie Rocks! – Deborah Silver & The Count Basie Orchestra

Lights on a Satellite – Sun Ra Arkestra


Melhor Álbum de Jazz Latino

A Tribute to Benny Moré and Nat King Cole – Gonzalo Rubalcaba, Yainer Horta & J. Calveiro🏆

Mundoagua – Celebrating Carla Bley – Arturo O'Farrill & the Afro Latin Jazz Orchestra

Vanguardia Subterránea: Live at The Village Vanguard – Miguel Zenón Quartet

La Fleur de Cayenne — Paquito D’Rivera & Madrid-New York Connection Band

Arturo O’Farrill: The Original Influencers: Dizzy, Chano & Chico (Live at Town Hall)


Melhor Álbum de Jazz Alternativo

Live-Action – Nate Smith🏆

Honey From a Winter Stone – Ambrose Akinmusire

Keys to the City Volume One – Robert Glasper

Ride into the Sun – Brad Mehldau

Blues Blood – Immanuel Wilkins


Melhor Álbum Instrumental Contemporâneo

Brightside – ARKAI🏆

Ones & Twos – Gerald Clayton

BEATrio – Béla Fleck, Edmar Castañeda, Antonio Sánchez

Just Us – Bob James & Dave Koz

Shayan – Charu Suri


Melhor Composição Clássica Contemporânea

"Ortiz: Dzonot" – Gabriela Ortiz, compositora 🏆

"Cerrone: Don't Look Down" – Christopher Cerrone, compositor

"Dennehy: Land Of Winter" – Donnacha Dennehy, compositor

"León: Raíces — Origins" – Tania León, compositora

"Okpebholo: Songs In Flight" – Shawn E. Okpebholo, compositor


Melhor Compêndio Clássico (Classical Compendium)

"Ortiz: Yanga" – Gustavo Dudamel, regente; Dmitriy Lipay, produtor🏆

"Cerrone: Don't Look Down" – Sandbox Percussion

"The Dunbar/Moore Sessions, Vol. II" – Will Liverman

"Seven Seasons" – Janai Brugger et al.

"Tombeaux" – Christina Sandsengen


Melhor Performance de Música de Câmera/ Small Ensemble

“Donnacha Dennehy: Land of Winter — Alan Pierson & Alarm Will Sound🏆
“Lullabies for the Brokenhearted” — Lili Haydn & Paul Cantelon
“Slavic Sessions” — Mak Grgić & Mateusz Kowalski
“La mer: French Piano Trios” — Neave Trio
“Standard Stoppages” — Third Coast Percussion

Melhor Composição Instrumental

“First Snow” — Nordkraft Big Band, Remy Le Boeuf & Danielle Wertz🏆
“Train to Emerald City” — John Powell & Stephen Schwartz

“Why You Here / Before the Sun Went Down (From Sinners Score)” — Ludwig Göransson feat. Miles Caton
“Live Life This Day: Movement I” — Miho Hazama, Danish Radio Big Band & Danish National Symphony Orchestra

“Lord, That’s a Long Way” — Sierra Hull
“Opening” — Zain Effendi