Jazz: bebop, hard-bop, post-bop, jazz-funk, free jazz, modern creative, jazz contemporâneo. Avant-garde: free improvisation, noise music, música experimental. Música Eletrônica. Música Instrumental Brasileira. Música Erudita Contemporânea. Música instrumental em geral.
New at JazzTimes: Maria Schneider and the Emotional Caw-Cawing of the American Crow. A.D. Amorosi on the acclaimed composer's new release.
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Possivelmente o mais importante registro ao vivo de John Coltrane, “The Complete 1961 Village Vanguard Recordings” sai pela primeira vez em vinil, em box com 7 LPs, em mais de 4 horas de música...
Breaking News: Wynton Marsalis will step down next year as managing director of Jazz at Lincoln Center, 40 years after he founded it.
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Listen to our experts’ selections from one of jazz’s great labels, with tracks from Sonny Rollins, Archie Shepp, Gato Barbieri and more.
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★★★★★ - Grupo Um - Nineteen Seventy Seven (Far Out Recordings, 2026)
Celebrando seus 50 anos, o Grupo Um resgata de seus arquivos um segundo álbum perdido dos anos 1970 e reafirma seu papel como um dos grupos mais radicais do avant-jazz brasileiro. A gravação foi lançada agora em janeiro de 2026 pela gravadora inglesa Far Out Recordings, que frequentemente foca em rare grooves brasileiros, já tendo lançado anteriormente gravações perdidas de nomes como Hermeto Pascoal, Grupo Vice Versa, Marcos Resende & Index e Azymuth. Vale lembrar, aliás, que a Far Out já havia lançado, em 2023, o álbum "Starting Point" (1975), com algumas das primeiras gravações do próprio Grupo Um. Essas gravações perdidas são sempre festejadas quando vêm a público, pois se tratam de verdadeiras relíquias sonoras de uma época em que esses músicos estavam experimentando e descobrindo inúmeras possibilidades e combinações. Nineteen Seventy Seven foi assim intitulado em referência direta ao ano em que foi gravado e surge como mais uma pepita rara do "brazilian fusion" vanguardista dessa banda que surgiu no seio das formações com Hermeto Pascoal e se tornou um dos grupos icônicos da Vanguarda Paulista. Naquela época, ainda imersos em um cenário de repressão e censura da ditadura militar, os músicos sofriam com os censores do governo e as gravadoras temiam lançar até trabalhos mais elaborados da canção popular, quiçá obras experimentais. Assim, poucos ou quase nenhum recurso restava aos músicos de vanguarda, o que os obrigava a recorrer à cena underground e a meios de produção alternativos. Essa gravação, por exemplo, ocorreu no estúdio Vice-Versa, de Rogério Duprat, em São Paulo, sob limitados recursos técnicos e financeiros: o grupo optou pelo pequeno Studio B, equipado com uma mesa Tascam (TEAC) 12x8 e um gravador AMPEX AG 440 de quatro canais, o que os obrigou a registrar tudo sem overdubs, direto na fita, imprimindo ao resultado das experimentações uma roupagem crua de rara textura orgânica. Expandindo-se de trio para quinteto, os membros originais Lelo Nazario (teclados), Zé Eduardo Nazario (bateria) e Zeca Assumpção (baixo) convidaram o saxofonista Roberto Sion e o percussionista Carlinhos Gonçalves —— os quais, inclusive, já haviam tocado juntos no grupo Mandala —— consolidando a formação aqui registrada. O grupo intercala, então, composições estruturadas com improvisações livres e experimentos eletroacústicos numa liberdade poucas vezes vista na cena da música instrumental brasileira. Nesse período, Lelo Nazario encontrava-se profundamente imerso na experimentação com sintetizadores modulares, trabalhando extensivamente com o ARP 2600 e o EMS Synthi AKS, e tais explorações eletroacústicas constituem, assim, a base sonora da quinta faixa do álbum, "Mobile/Stabile", uma das primeiras composições a fundir síntese modular com música brasileira. A peça estreou no primeiro Festival Internacional de Jazz de São Paulo, em 1978, com a participação do trompetista Márcio Montarroyos, e, na ocasião, os organizadores do festival interromperam a apresentação dos músicos por causa da experimentação, gerando forte reação do público e da imprensa, que denunciaram o episódio como explícita censura artística. Não foi à toa, portanto, que o Grupo Um e tantos músicos dessa época tenham se desestimulado a lançar vários dos seus registros mais exploratórios. Aqui, em Nineteen Seventy Seven, os arranjos articulam ritmos afro-brasileiros com improvisos livres, síntese modular e uma profusão de apitos, percussões e pedais de efeito, evidenciando uma ousada síntese sonora que vai dos grooves de samba da faixa de abertura "Absurdo Mudo", passando por inflexões sobre rítmicas do maracatu em "Cortejo dos Reis Negros (Version 2)", até aportarem-se na já citada peça experimental "Mobile/Stabile". Álbum fantástico!!!
Edition of Contemporary Music: como Manfred Eicher criou o conceito musical e o design gráfico da "grife" ECM
Há quem diga -- entre os críticos e apreciadores mais "punkers" -- que o selo alemão ECM Records, durante suas quatro décadas de existência, praticamente cristalizou sua música e seu plantel de músicos com uma categorização chamada de "Conceito ECM": algo como um conceito de música de vanguarda, contemporânea, mas que trabalha os aspectos das harmonias, ruídos e silêncios com uma estética um tanto minimal, cristalina, intimista, nostálgica e sutil -- na verdade, enquanto outras vanguardas fizeram uso da cacofonia intensa, a gravadora alemã tratou logo de se diferenciar ao lapidar sua música com intrigantes doses de silêncio, nostalgia e suspense, fazendo um uso mínimo da abstração. Porém, durante seu desenvolvimento -- e principalmente nas últimas duas décadas --, a gravadora de Manfred Eicher veio se diversificando para além do jazz de vanguarda mais intimista e da música improvisada, englobando em sua estética produções musicais que vão desde novos jazzistas do post-bop contemporâneo até música erudita, world music e música experimental, tornando-se uma verdadeira grife de música contemporânea. Críticas e preconceitos à parte, a ECM é considerada uma das mais revolucionárias gravadoras independentes de música contemporânea, com uma gama de artistas criativos de várias partes do mundo e, por consequência, provenientes de vários estilos musicais: dentre eles podemos destacar os brasileiros Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos, o norueguês Jan Garbarek, o norte-americano Keith Jarrett e vários outros músicos do jazz e fora dele, vários outros músicos da Europa, América e até dos paises orientais. Ou seja, apesar das rotulações inerentes à abordagem um tanto conceitual e "minimal" da gravadora até os anos 90, a partir dos anos 2000 suas produções foram se tornando mais diversificadas. E para quem quer entender e flutuar sobre o universo pós-moderno da ECM, trago aqui algumas indicações, além dos links para audição e pesquisa.
O primeiro documentário sobre a ECM foi filmado em 1986 pelo diretor Jan Horne: um documentário de 60 minutos chamado Bare Stillheten abordando o produtor Manfred Eicher e as instalações da gravadora em Munique. O documentário foi filmado em Oslo e Tokyo com a participação de músicos da época tais como Garbarek, Terje Rypdal, Jon Christensen, Arild Andersen, John Surman, Eberhard Weber, entre outros. Desde então, de tempos em tempos, a gravadora produz uma série de revistas, livros, vídeos e documentários para atualizar seu publico sobre suas transformações criativas e conceituais ou para mostrar novas facetas criativas dos seus músicos.
Um exemplo é o livro "Horizons Touched", lançado entre 2006 e 2007, e que aborda toda a paleta musical produzida pela ECM Records através de entrevistas com o produtor Manfred Eicher, fotos e mais de 20 ensaios especialmente encomendados à uma troupe de jornalistas, críticos e especialistas em música moderna e contemporânea. Intercalados entre os ensaios estão mais de 100 depoimentos de compositores, músicos e engenheiros, bem como cineastas, fotógrafos e designers associados ao selo. O livro inclui também as imagens e as fichas técnicas da discografia completa da gravadora, com todos os lançamentos de 1969 até 2006. Outro filme que atualiza essa faceta mais documental da ECM é Sound and Silence, um documentário que aborda as produções apenas em relação ao ano de 2009 -- um ano que evidenciou uma verdadeira guinada estética, por sinal. O filme é uma produção da Recycled TV AG e Biograph Film e foi lançado em Outubro de 2010 Na Alemanha. Neste documentário, os cineastas Peter Guyer e Norbert Wiedmer retratam o cotidiano do chefe e fundador Manfred Eicher em sua busca perfeccionista por novos sons, tons e ruídos. Com a câmera em mãos, eles acompanham o produtor em seu trabalho, em gravações, concertos ao vivo, no estúdio e no escritório, em grandes salas de concerto e bastidores afins. O filme aborda apenas compositores e músicos que estavam gravando pelo selo ECM naquele ano: Arvo Pärt , Anouar Brahem , Eleni Karaindrou , Dino Saluzzi , Anja Lechner , Gianluigi Trovesi , Nik Bärtsch , Marilyn Mazur , Jan Garbarek , Kim Kashkashian, e etc. Em 2011, foi lançado o CD com a trilha sonora do documentário, englobando toda a surpreendente diversidade musical destes músicos e compositores -- desde a música erudita contemporânea do compositor Arvo Pärt, passando pelo tango contemporâneo de Dino Saluzzi até o modern-creative jazz do pianista Nik Bärtsch. Por fim, um dos últimos documentários produzidos pela ECM foi lançado em 2014: trata-se do documentário Arrows Into Infinity (ECM 5052) com foco em Charles Lloyd e dirigido por sua esposa Dorothy Darr junto com Jeffery Morse. No mesmo ano, o documentário Radhe Radhe: Rites of Holi (ECM 5507) trouxe imagens de Prashant Bhargava sobre o colorido festiva hindú de Holi, tendo como trilha sonora a música exuberante de Vijay Iyer. E para completar a compreensão em torno do universo ECM, temos o livro "Windfall Light: The Visual Language of ECM", que trata do design gráfico das capas de álbuns da gravadora, da sua distinta linguagem visual, que é tão conceitual quanto sua produção musical. O book aborda capas de discos que vão de 1996 até o final dos anos 2000. Através dos anos, Manfred Eicher trabalhou com muitos designers e fotógrafos, mas alguns deles -- tais como Barbara Wojirsch (a principal designer a criar o vocabulário visual dos discos da gravadora em seus primeiros 25 anos), Dieter Rehm , Sascha Kleis e Mayo Bucher -- tiveram mais preponderância na criação da poética visual da ECM. O book aborda a estética gráfica e fotográfica, as inspirações artísticas no cinema e nas fontes literárias que os designers e fotógrafos usam para criar as capas dos discos da gravadora, tentando imprimir um elo entre imagem e música.