Jazz: bebop, hard-bop, post-bop, jazz-funk, free jazz, modern creative, jazz contemporâneo. Avant-garde: free improvisation, noise music, música experimental. Música Eletrônica. Música Instrumental Brasileira. Música Erudita Contemporânea. Música instrumental em geral.
Acclaimed Twin Cities-launched jazz group
@Thebadplus
is disbanding after 27 years. Grueling tours with 160 gigs a year have taken its toll. Farewell tour is in the works along with tribute to
@_KeithJarrett
series.
@StribGoingOuthttps://t.co/rtHeqsrgyw
Livro novo no forno! “Eternal Rhythm: Conversations and Travelations with Don Cherry”
O autor, a partir de entrevistas com Don Cherry, gravadas em fita K7 desde 1979, escreveu este livro que promete nos levar pela intensa vida e ideias desse artista em eterno movimento criativo.
pic.twitter.com/ZtoFWySzfM
The 50 Best Jazz Albums of 2025 | Shatter the Standards | Substack
A multigenerational conversation in sound. You’ll hear legends and newcomers weaving fresh narratives; jazz in 2025 will not be pinned down. Expect anything but the expected
— Softly, as in a Morning Sunrise (@jazz_and_more)
December 9, 2025
MÚSICO/ BANDA/ ENSEMBLE/ ALBUM DA SEMANA (05)
★★★★ - Tomeka Reid Quartet - Dance! Skip! Hop! (Out Of Your Head, 2026)
A violoncelista Tomeka Reid —— agraciada em 2022 com uma bolsa "genius grant" da Fundação MacArthur —— é uma das figuras incontornáveis do jazz contemporâneo e ela inicia o ano de 2026 já com esse petardo de empolgante audição, desta vez com um foco rítmico. Gravado no segundo semestre de 2025 no estúdio The Brink, em Richmond, Virgínia, e mixado e masterizado no Firehouse 12, em New Haven, Connecticut, este álbum tem sua data de lançamento confirmada para 13 de fevereiro de 2026 pelo selo Out Of Your Head Records. O nome do álbum é Dance! Skip! Hop!, e a ideia de gravá-lo surgiu a partir de uma inspiração que Tomeka teve ao ouvir o álbum A Dance and a Hop (2015), do cornetista Josh Berman, seu colega da cena de Chicago. A essa inspiração, a cellista juntou lembranças advindas da história de sua família, entre outras inspirações pessoais, e a partir daí teve todas as ideias de que precisava para compor cinco peças expansivas para o seu Tomeka Reid Quartet, formação que celebra mais de uma década de sinergia criativa, aqui mantida com Mary Halvorson (guitarra), Jason Roebke (contrabaixo e manipulação de fita cassete) e Tomas Fujiwara (bateria). Este álbum é, pois, o quarto álbum da banda e traz uma mistura de elementos camerísticos, free jazz, temáticas da ancestralidade, efeitos, ritmos e pulsos de grooves ímpares. Todas as cinco composições originais foram escritas por Tomeka. A faixa-título "Dance! Skip! Hop!", que abre o álbum (com 10:13 de duração), funciona como um chamamento que articula células rítmicas ímpares, mudanças abruptas de intensidade e densidade e uma sensação contínua de deslocamento. Já a peça "a(ways) For CC and CeCe" é dedicada a figuras centrais da história familiar da compositora e reforça o eixo afetivo e memorial que a inspirou a gestar esse projeto, acentuando profundidade e ecos advindos da "creative black music" da AACM. Não à toa, a inspiração familiar de Tomeka Reid é explicitada na capa com imagens de sua bisavó Francis, de sua avó Estelle e de sua tia-avó CeCe, e essa segunda faixa também homenageia Clarence James (também conhecido como "CC"), uma figura assídua da cena de jazz experimental de Chicago, frequentador e entusiasta do lendário clube Velvet Lounge, fundado pelo saxofonista Fred Anderson. Já a faixa "Oo Long!" foi inspirada no pequeno restaurante Soba-An, de Düsseldorf: a cellista visitou o local diversas vezes enquanto era "Artista Residente" no prestigiado Moers Jazz Festival, e as lembranças geográficas, culturais e culinárias desse local a inspiraram a escrever essa peça, que explora contrastes entre repetição, suspensão e intervenções tímbricas inesperadas. Segue-se "Under the Aurora Sky": nomeada pelo marido da cellista, essa peça explora texturas mais etéreas e coloridas, como as nuances de uma aurora boreal. O álbum se encerra com a faixa "Silver Spring Fig Tree", que é uma homenagem a Steve Feigenbaum, fundador do legendário selo Cuneiform Records, e também faz referência à cidade de Silver Spring, onde Tomeka deu seus primeiros passos no violoncelo. É a partir dessas peças e dessas inspirações que este álbum apresenta uma paleta expandida de técnicas, entrelaces de cordas, arranjos e improvisos instigantes, nos quais o cello de Tomeka Reid transita continuamente entre linhas líricas, articulações percussivas, pizzicatos, acordes em cordas duplas, uso do arco e texturas afins, dialogando assim com as modulações eletrificadas via pedais de efeitos, harmonias assimétricas e ataques angulares da guitarra de Halvorson, enquanto Roebke e Fujiwara constroem uma base que alterna entre pulsações assimétricas, grooves dançantes e instáveis e respostas rítmicas articuladas de forma improvisatória. Já coloco este álbum como um dos candidatos a figurar na lista de "Melhores Álbuns de 2026".
Lançada pela Philips em 1967, a série de LP's Prospective 21 Siècle é um artigo de luxo para colecionadores
A maior coleção de música erudita eletrônica do século XX é a série de álbuns de vinil Prospective 21 Siècle, lançada pela Philips de 1967 à 1972. Com curadoria de dois pioneiros e estudiosos da composição e manipulação eletrônica, François Bayle e Pierre Henry, o catálogo reúne mais de 50 LP's, documentando uma paleta enorme de experimentos, composições e manipulações sonoras inéditas. Em se tratando da série como um todo, sem dúvidas este é um dos maiores documentos da história da vanguarda erudita, reunindo os principais e proeminentes compositores europeus e japoneses que estavam focados em música eletrônica na segunda metade do século XX -- o que é não é pouca coisa, se considerarmos que a música eletrônica, enquanto linguagem composicional (leia-se música concreta), só começou a se desenvolver a partir da peça Étude aux chemins de fer, composta por Pierre Schaefer em 1948, sendo ainda, portanto, uma estética que estava em constante expansão. Outra observação curiosa é o fato da Philips Records, fundada pela gigante companhia neerlandesa vendedora de utensílios eletrônicos, ter dando evidência para este tipo de música tão experimental -- talvez isso só tenha sido possível pelo fato da Philips Records e a Deutsche Grammophon, selo de música erudita, terem sido fundidas, em 1962, no empreendimento conjunto Phonogram Records, que tornaria-se posteriormente a PolyGram. Lançada em francês -- e posteriormente em países com maior abertura à música eletrônica tais como Japão, Holanda Inglaterra e Espanha --, os LP's da série são dotados de incomparável beleza gráfica, conferindo-lhe um visual tecnológico e futurista: a maioria dos álbuns foram confeccionados através de um conceito gráfico chamado “Procédé Heliophore”, uma técnica que permite fazer impressões gráficas sobre papel alumínio, técnica originalmente desenvolvida em 1930 por Louis Defay. De certo, esta série de LP's influenciou muitos veteranos e jovens compositores em sua época, mas nos últimos anos estes registros passaram de desconhecidos para artigos de luxo nas estantes dos grandes colecionadores. Com advento das buscas pela internet, a série de LP's também segue chegando ao conhecimento da atual geração, influenciando grupos, bandas e jovens artistas aficcionados em música eletrônica. É o que mostra o grupo Clipping., ambientado em fusões das estéticas hip hop, noise, industrial e música erudita eletrônica. O segundo álbum do grupo, Splendor & Misery (Sub Pop, 2016), resgata não apenas excertos sonoros da série Prospective 21 Siècle, mas também evoca um tanto da sua caricatura gráfica. É o que mostra também os álbuns da GRM Collection que apresenta os jovens compositores amparados pelo centro de música eletroacústica INA, sediado na Rádio da França. Tendo sido lançada com edições limitadíssimas, completar a coleção de álbuns da série Prospective 21 Siècle é uma tarefa muito trabalhosa, para não dizer impossível -- tanto pela raridade, quanto pelos preços que alguns deles são vendidos em sites como Amazon e ebay. É notável também que um dos ensembles regulares da série seja o Les Percussions de Strasbourg, formados por seis intérpretes especialistas em percussão e eletroacústica.