Jazz: bebop, hard-bop, post-bop, jazz-funk, free jazz, modern creative, jazz contemporâneo. Avant-garde: free improvisation, noise music, música experimental. Música Eletrônica. Música Instrumental Brasileira. Música Erudita Contemporânea. Música instrumental em geral.
Acclaimed Twin Cities-launched jazz group
@Thebadplus
is disbanding after 27 years. Grueling tours with 160 gigs a year have taken its toll. Farewell tour is in the works along with tribute to
@_KeithJarrett
series.
@StribGoingOuthttps://t.co/rtHeqsrgyw
Livro novo no forno! “Eternal Rhythm: Conversations and Travelations with Don Cherry”
O autor, a partir de entrevistas com Don Cherry, gravadas em fita K7 desde 1979, escreveu este livro que promete nos levar pela intensa vida e ideias desse artista em eterno movimento criativo.
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The 50 Best Jazz Albums of 2025 | Shatter the Standards | Substack
A multigenerational conversation in sound. You’ll hear legends and newcomers weaving fresh narratives; jazz in 2025 will not be pinned down. Expect anything but the expected
— Softly, as in a Morning Sunrise (@jazz_and_more)
December 9, 2025
MÚSICO/ BANDA/ ENSEMBLE/ ALBUM DA SEMANA (06)
★★★★ - Kris Davis & Lutosławski 4tet- Solastalgia Suite (Pyroclastic 2026)
A pianista e compositora canadense-americana Kris Davis, que tem se destacado com seu ensemble de 10 integrantes Diatom Ribbons e com seu piano-trio com o baterista Jonathan Blake e o contrabaixista Robert Hurst, agora lança um projeto numa direção um tanto diferente. Trata-se deste álbum chamado The Solastalgia Suite, que traz uma interessante suíte em oito partes que ela escreveu para piano e quarteto de cordas, aqui com o excelente Quarteto de Cordas Lutosławski, da Polônia, e com ela mesma ao piano. A peça foi uma encomenda do Festival Jazztopad, em Wrocław, e o álbum está sendo lançado pela Pyroclastic Records, influente gravadora de propriedade da própria pianista. O quarteto é formado por Roksana Kwaśnikowska (primeiro violino), Marcin Markowicz (segundo violino), Artur Rozmysłowicz (viola) e Maciej Młodawski (violoncelo), e é reconhecido internacionalmente por suas interpretações afiadas do repertório moderno e contemporâneo, bem como por sua afinidade com a obra do grande compositor polonês Witold Lutosławski. Pois eis que a pianista, ao receber a encomenda, tratou logo de compor uma peça em que elementos do jazz contemporâneo coexistissem com elementos da música erudita moderna, sendo essa sua primeira composição nesse formato camerístico ampliado. A suíte foi estreada e gravada ao vivo em 23 de novembro de 2024, no Jazztopad Festival, na Polônia, e já teve apresentações subsequentes no Dizzy’s Club, no Jazz at Lincoln Center, em Nova York, e agora o respectivo álbum tende a ser um dos registros mais interessantes de 2026. O conceito central da peça deriva do termo "solastalgia", cunhado pelo filósofo ambiental Glenn Albrecht para descrever o luto, a angústia e o deslocamento psicológico que a degradação ambiental causa nas pessoas: a pianista teve esse insight ao observar que as degradações ambientais ocorridas em seu país natal, o Canadá, mudaram radicalmente a natureza e, consequentemente, mudaram a aura na relação da população com o meio ambiente. Estruturada em oito movimentos interligados, a suíte funciona como um arco narrativo contínuo que explora diferentes estados emocionais e paisagens sonoras, alternando passagens entre contemplação e angústia, espaçamentos e mudanças abruptas, tensão e melancolia, lirismo e densidade rítmica, imagetismo e rarefação espacial, tudo para evocar aspectos sensoriais e emocionais da relação conflituosa entre a alma humana e o meio ambiente. Tecnicamente, a peça é majoritariamente escrita e traz sobreposições contrapontos entre piano e cordas muito bem estruturados previamente em pauta, mas há pontos em que ela combina escrita rigorosa com improvisação controlada, além do uso extensivo de texturas atonais, harmonias rarefeitas, espaçamentos, ataques percussivos e efeitos sonoros bem pensados para evocar as tais sensações de "solastalgia". Em momentos específicos —— como em Towards No Earthly Pole ——, a pianista usa técnicas de piano preparado e os músicos do quarteto utilizam técnicas estendidas e recursos específicos nas cordas para criar tais efeitos, fazendo uso de recursos como harmônicos agudos, arranhaduras, staccatos agressivos, sul ponticello e sobreposições de massas sonoras em camadas. Para compor essa peça, Kris Davis abstraiu inspirações do tom apocalíptico emanado pela emblemática e histórica peça Quatuor pour la fin du temps, do compositor erudito francês Olivier Messiaen, e das ideias composicionais inovadoras do compositor de jazz Henry Threadgill, com quem ela estudou, abstraindo ideias singulares de lógica modular, elasticidade, sinergia entre improviso e composição, recusa de resoluções convencionais e coexistência de todos os instrumentos do ensemble como um só organismo. O piano de Kris Davis e as cordas do Lutosławski Quartet, enfim, tanto representam o ser humano e o meio ambiente em seus conflitos como também representam um só organismo vivo a contracenar diferentes emoções, sensações e climas. Esse será um dos álbuns a figurar entre os melhores de 2026!!!
56º Festival de Musica Nova e os 100 Anos de Gilberto Mendes: o percurso da modernidade para a transmodernidade
Iniciando com depoimentos, obras e recitais do maestro Júlio Medaglia, do pianista e compositor André Mehmari -- que apresenta uma surpreendente peça para piano!, por sinal -- e dos compositores Arrigo Barnabé e Livio Tragtenberg, deu-se a largada ontem, 21 de Março, para os seis dias do Festival de Música Nova Gilberto Mendes, que chega neste ano de 2022 em sua 56ª edição, sendo, portanto, um dos festivais de música contemporânea mais longevos do mundo. O festival, acontecendo este ano de forma on line, também celebra 100 anos do nascimento do seu fundador, o compositor santista Gilberto Mendes, que se tornou o mais legendário representante brasileiro da transição da música moderna para a música pós-moderna na passagem do século 20 para o século 21 -- ou, como diria o próprio compositor, da "música transmoderna". Em 1962, após retornar de uma das suas viagens pela Europa -- onde acompanhava as modernidades do concretismo e do serialismo europeu em eventos como o Ferienkurse fuer Neue Musik em Darmstadt, Alemanha --, Mendes funda em Santos, São Paulo, o Festival de Música Nova, importantíssima mostra anual que passou a servir como palco e como um veículo difusor para a música de vanguarda no Brasil. Posteriormente, aliás, o Festival de Música Nova também atrairia vários dos mais proeminentes compositores de outros países da América Latina. Com esse acontecimento, Mendes praticamente já preparava o território da música erudita brasileira para uma terceira onda de modernidade: considerando que a primeira onda surge com o Semana da Arte de 1922, a segunda onda vem com o Grupo Musica Viva inaugurado por Hans-Joachim Koellreutter em 1939, e a terceira onda é justamente a evolução dessa escola inaugurada por Koellreutter e levada adiante por Mendes, Edino Krieger e demais colegas a partir dos anos 50 e 60, os quais já sofreriam influências de outros desdobramentos mais adiante, incluindo a eletroacústica, a música concreta e, posteriormente, até elementos da cultura pop, da música minimalista e da "nova consonância" a partir dos anos 70 e 80.
Coincidentemente, Gilberto Mendes nasceu em 1922, mesmo ano em que acontece a Semana da Arte Moderna, evento que simboliza o início do modernismo no Brasil. Essa coincidência geralmente faz -- de forma oportunista ou não -- com que alguns críticos e jornalistas de música equivocadamente associem esse modernismo da década de 20, a La Villa-Lobos, como um núcleo gerador do modernismo posterior, a La Koellreutter, do qual Gilberto Mendes foi adepto. Mas no fundo, apesar das figurinhas trocadas entre essas duas escolas, trata-se de estéticas mais antagônicas do que favoráveis entre si -- ou seja, separadas tanto em questão de época quanto por questões de conflitos entre estéticas e ideias. Isso porque essa primeira fase do modernismo iniciada na década de 20 é marcada por um processo antropofágico onde os artistas e compositores -- Villa-Lobos, principalmente -- iam à Paris absorver a modernidade europeia e, de volta, regurgitavam essas influências em obras nacionalistas marcadas por adereços do nosso folclore, enquanto o modernismo apregoado nos anos 40 por Koellreutter e pelo Grupo Musica Viva era muito mais arraigado no serialismo europeu e na música concreta. E todos sabem que, salvo exceções, esse modernismo nacionalista não compactuava com esse outro modernismo serial: tanto que em 1950, o compositor nacionalista Camargo Guarnieri publicou a Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil, criticando e repudiando veementemente a influência daquele formalismo mais europeu na música erudita brasileira. Portanto, podemos dizer que Gilberto Mendes inicia sua carreira justamente nessa encruzilhada entre ser ou não ser um antagonista desse insistente modernismo nacionalista cheio de folclore -- e ele até absorve um pouco desse nacionalismo, mas de uma forma muito diluída, focada na canção. Contudo, quando estudamos os desdobramentos da sua carreira, verificamos que Gilberto Mendes logo percebeu que o novo modernismo da música erudita no mundo do pós-Guerra, principalmente pós anos 60, não seria mais caracterizado pela dicotomia de nacionalismo versus serialismo, ou pelo protagonismo de uma única escola específica, mas sim por uma confluência de escolas e conceitos que levaria a música cada vez mais para uma fase de hibridismos, colagens e misturas. Basta observar os compositores dos cenários internacionais e efetuar alguns comparativos. Enquanto o compositor americano Frank Zappa compunha Lumpy Gravy (1968), o compositor italiano Luciano Berio compunha sua Sinfonia (1969), e o compositor russo Alfred Schnittke inaugurava sua Sinfonia nº 1 (1969–1972), todas obras que instauram as colagens e os poliestilismos na música, Gilberto Mendes, por sua vez, já surgia com obras como Santos Football Music (1969), uma peça moderna com a temática do futebol e a participação da plateia, e o célebre Moteto "Beba Coca-Cola" em Ré Menor (1967), uma obra que parte da configuração renascentista de canto coral explorando a imagem de um produto da cultura pop através da poesia concreta de Décio Pignatari. Com essas obras compostas por elementos díspares, Gilberto Mendes instaurava-se, então, como um dos precursores do pós-modernismo no Brasil -- ou, como diria o próprio compositor, da "música transmoderna". E essa pós-modernidade -- ou transmodernidade, nas palavras do compositor -- o levaria a adotar uma postura amplamente eclética, considerando todos os movimentos decorrentes da passagem do século 20 para o século 21, incluindo as influências dos movimentos do minimalismo e da "nova consonância".
Essa 56ª edição do Festival de Música Nova vai ao ar até sábado, dia 26, sempre às 19 horas pelo canal do Youtube👉http://tiny.cc/56fmn e apresenta uma série de lives e recitais on line, além de depoimentos (de jornalistas, críticos, maestros e etc), palestras, filmes e documentários ligados à Gilberto Mendes e vários outros compositores dessas últimas décadas, incluindo jovens compositores deste início de século. E o melhor é que o ouvinte-leitor poderá apreciar o FMN na ocasião em que lhe aprouver, pois os vídeos da mostra ficarão gravados e disponíveis no Youtube. Com núcleos em Santos, São Paulo e Ribeirão Preto, o FMN apresentará obras de compositores tais como Claudio Santoro, Rubens Ricciardi, Cornelius Cardew, Paulo Costa Lima, Vitor Zafer, Lucas Pigari, Silas Palermo, dentre tantos outros. É importante, enfim, que o ouvinte acesse o canal do FMN no Youtube com a mente aberta, esperando se deparar tanto com obras em que naturalmente já haverá uma assimilação e uma conexão imediata entre a escuta e o som, quanto com outras obras aparentemente inaudíveis e conceituais -- pois é assim, afinal, que funciona a escuta nos termos da música contemporânea. Outra observação, já explanada acima, é que o centenário de Gilberto Mendes também coincide com o centenário da Semana da Arte Moderna de 1922: e apesar de Mendes não ser um compositor ligado à Semana de 1922, e ter fundado esse festival para fins de música nova, pode ser compreensível que essa mostra sirva de carona para que os entusiastas daquele nacionalismo tragam, portanto, diversas menções -- retóricas e sonoras -- a esse modernismo primeiro. No demais, o que mais esperamos é que muita das peças apresentadas nos proporcione, mesmo, desafios e incompreensões. Ouvidos abertos e avante!!!
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