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Pulitzer Prize: Como o maior prêmio da música se tornou um grande palco para a diversidade, inclusão e criatividade

 
Recentemente tivemos a nobre notícia de que pela primeira vez na história da música um compositor americano indígena foi agraciado com um Prêmio Pulitzer, a maior honraria dada a um compositor por uma peça, canção ou tema musical: trata-se do compositor Raven Chacon, descendente dos povos da Nação Navajo, do Arizona, que ganhou a honra por sua composição "Voiceless Mass", peça composta para órgão e flauta, clarinete, clarinete baixo, dois percussionistas, cordas e ondas senoidais. Rave Chacon é, além de compositor de sucesso, performer, multiartista ligado ao audiovisual, manipulador de eletrônicos e um adepto à arte da livre improvisação, além de trabalhar com a noise music, e ter uma visão ampla e contemporânea em relação aos dramas e temáticas relacionados aos nativos americanos. E tem sido recorrente, ainda que tardiamente, o fato do Prêmio Pulitzer buscar agraciar compositores mais iconoclastas, que buscam a criatividade através das mais variadas vias de expressão. Porém, quando olhamos para a história do Prêmio Pulitzer, atestamos que por muitas décadas essa honraria, que já tem mais de 105 anos de história, foi um antro de conservadorismo e erudição, e só mais recentemente, nas últimas décadas, sua banca de jurados tem buscado diversificar sua curadoria e considerar a música como um horizonte muito mais amplo do que apenas aquele território erudito formalista e antiquado. Mas sabemos que esse atraso não é propriamente uma novidade. Os artistas verdadeiramente inovadores, criativos e revolucionários -- músicos, compositores, dramaturgos, escritores, Dj's, escultores, pintores e etc -- sempre foram incompreendidos e sempre nos deram a impressão de estarem à frente do seu tempo e muitos passos adiante em relação à mídia mainstream, à cátedra e à academia -- tanto em termos das poéticas com as quais fazem arte propriamente dita, como no entendimento sociocultural de mundo e humanidade. Foi assim com praticamente todos: Picasso, Pollock, Schoenberg, Stravinsky, Duke Ellington, Charlie Parker, Charles Mingus, Ornette Coleman, Frank Zappa.., esses e vários outros artistas geniais sempre sofreram com as indiferenças e incompreensões midiáticas e sempre estiveram à frente do seu tempo e das compreensões acadêmicas, catedráticas e midiáticas, as quais só assimilaram as inovações empreendidas por esses gênios muito tempo depois de instauradas, muitas das vezes até depois da morte dos mesmos. Aliás, suas obras são ainda hoje estudadas porque eles inovaram profundamente as artes em relação às suas épocas, eles provocaram novas percepções de arte e novas visões de mundo, e durante décadas não houveram textos aguçados o suficiente para esgotar todos os entendimentos em torno das suas obras, sem mencionar a necessidade de compreensão das novas gerações -- e mesmo que, num eventual mundo utópico, haja algum tipo de massificação popular em torno desses artistas, o caráter inovador, irreverente e provocador das suas obras sempre suscitarão questionamentos, análises e reanálises em relação aos estigmas de uma visão padronizada de mundo que geralmente o show business tenta impregnar na cabeça das pessoas. O ônus a ser reparado, portanto, é que nem todos esses artistas tiveram, em vida, suas obras reconhecidas com os devidos méritos e honras pela mídia especializada, pelas cátedras e pelas academias: uma grande maioria dos gênios do século 20 só tiveram maiores reconhecimentos pós morte. E esse é um equívoco que o Prêmio Pulitzer, gerido pela prestigiada Columbia University, está disposto a amenizar ante aos gênios do nosso tempo. Nos últimos tempos, os jurados do Pulitzer tem mostrado que esse importante prêmio, indiscutivelmente  maior honraria americana nos campos do jornalismo, da literatura e da música, está muito bem antenado com os ecletismos e propostas dos autores e compositores mais criativos -- não há mais espaço, enfim, para classicismos antiquados.



Outro "gap" abismático que ainda existe -- mas, acredita-se, já está sendo amenizado em muitos meios e instâncias -- é a falta de representatividade com a qual muitos artistas hiper criativos do meio underground ainda sofrem por fazerem arte experimental ou por terem uma origem sem prestígio socioeconômico, subvalorizada ou uma condição não abastada. Basta atestar, por exemplo, como que os olhares preconceituosos da elite erudita atrapalharam a vida e obra de um artista hiper criativo como o compositor negro Julius Eastman, um gênio que nunca teve o apoio e a oportunidade merecida em vida e só agora, décadas depois da sua morte, alcança um processo de ser minimamente reconhecido como um dos grandes nomes da música da segunda metade do século 20. Contudo, os jurados do Prêmio Pulitzer parecem estar resolvendo esses problemas de discriminação e falta de representatividade ante ao meio artístico-cultural americano. Nas últimas décadas o Prêmio Pulitzer agraciou diversos músicos e compositores de jazz, diversas musicistas -- quebrando uma objeção de outrora, pela qual raramente eram indicadas obras de mulheres --, começou a englobar diversos outros gêneros e estilos musicais para quebrar uma tradição onde apenas compositores eruditos apreciados pelas cátedras e pelas elites eram indicados, incluiu músicos e compositores imigrantes, incluiu nomes de várias raças e de várias idades, e já teve diversos compositores da música criativa mais underground entre seus indicados e finalistas. Essa inclusão, com essa diversidade,  jamais existiu nos mais de 70 anos de existência desse grande prêmio. Basta lembrar, por exemplo, que só foi em 1997 que o Prêmio Pulitzer agraciou o primeiro músico de jazz por uma composição: fato histórico conquistado por Wynton Marsalis através da sua criativa e estendida peça "Blood On The Fields", baseada na história da escravidão e nos vários adereços da cultura americana. Em 1965, Duke Ellington até chegou a ser cogitado pelo júri para receber o prêmio, mas a maioria dos conselheiros no alto escalão do Pulitzer lhe negou a honra, fato que gerou críticas desconfortáveis tanto pelo fato de se tratar de um compositor da grandeza de Ellington, como pelo fato de que o jazz já deveria ser tão respeitável em solo americano quanto a dita música erudita, visto que o jazz é a autêntica invenção afro-americana na arte da música. Mas...diante de uma banca compostas por senhores fermentados nas amarras do classicismo de origem europeia, esse preconceito ainda duraria mais três décadas para ser desmantelado: isso porque esses senhores, acostumados com os cânones da escritura clássica -- onde tudo é escrito, notado, e a interpretação tende a seguir a partitura à risca --, não tiveram a acuracidade necessária para atestar que a escrita do jazz já tinha atingido uma elaboração tão avançada quanto a escrita erudita, e que o jazz era um misto de notação musical e pentagramas em branco dedicados aos momentos onde os músicos improvisam sobre a melodia, a harmonia ou mesmo improvisam livremente, levando a abstração para o mais alto patamar da arte musical. E diante dessas amarras classicistas, a música improvisada nunca teria o mesmo peso que a música escrita. Aliás, mesmo após Wynton Marsalis ter aberto um precedente com a sua "Blood On The Fields", só foi em 2004 que o Pulitzer alterou as regras de requisitos, decidindo que as escolhas das peças para o certame não mais exigiriam uma partitura: bastaria apenas que houvesse uma gravação divulgada publicamente, um registro fonográfico documentando a obra musical a ser inscrita. Esse ajuste abriria as portas para outros gêneros de música onde a partitura não é o principal meio de registro: isso possibilitou, por exemplo, que o cantor e poeta folk Bob Dylan fosse homenageado com um Pulitzer especial em 2008; e também possibilitou para que o rapper Kendrick Lamar fosse o primeiro artista de hip hop a receber essa grande honra em 2018. Ademais, para concluir o quanto o Prêmio Pulitzer estava atrasado, basta verificar que alguns dos compositores mais inventivos do século 20 e da música erudita dos últimos tempos iniciaram suas carreiras no jazz ou se inspiraram e/ou seguem se inspirando no jazz. Ao reformular suas exigências, o Pulitzer escancarou, enfim, aquilo que já estava evidente desde os anos 30, 40 e 50, quando Duke Ellington elevou a composição a um mais alto patamar e Charlie Parker elevou a improvisação ao máximo da arte: o jazz é, definitivamente, uma inovação estética secular americana tão -- ou mais -- sofisticado e/ou cerebral que a música erudita de verve europeia.


Esses ajustes e reconsiderações inclusivas, iniciados nos final dos anos 90 e início dos anos 2000, após a premiação de Wynton Marsalis, também possibilitariam, enfim, que outros jazz masters historicamente reconhecidos recebessem Pulitzers póstumos especiais, corrigindo o ônus de não terem recebido tamanha honraria em vida: são os casos de George Gershwin em 1998 (o ano de seu centenário), Duke Ellington em 1999 (também ano do seu centenário), Thelonious Monk em 2006 e John Coltrane em 2007. Ademais, nos últimos tempos tivemos, felizmente, um cenário de indicações com uma diversidade de inclusão já mais perto do ideal: o fundador do free jazz Ornette Coleman foi ganhador do Pulitzer em 2007; o clarinetista e compositor Don Byron foi finalista em 2009; o compositor de jazz avant-garde Henry Threadgill foi ganhador do Pulitzer em 2016; a jovem compositora chinesa, radicada nos EUA, Du Yun foi ganhadora do Pultizer em 2017; as compositoras eruditas Caroline Shaw (ganhadora em 2013) e Julia Wolfe (ganhadora em 2015) foram as representantes dessa nova música pósminimalista americana mais "indie" a ser valorizada pelo Pulitzer; e nomes como o do trompetista Wadada Leo Smith (finalista em 2013), da bandleader Maria Schneider (finalista em 2022) e do compositor avant-garde John Zorn (finalista em 2015) passaram a fazer parte do certame deste grande prêmio da arte da música. Esse caráter inclusivo e essa rica diversidade agora levada adiante pelo Pulitzer também pode ser explicada pelo fato de que a música -- as artes como um todo... -- passa por um momento de pós-modernidade, desde finais do século 20, onde as individualidades e os ecletismos de formas es estéticas agora ditam as consciências e as características do nosso tempo. E para se atualizar com as poéticas do nosso tempo, o Pulitzer teve de desapegar daquela velha erudição com resquícios de formalismo europeu e incluir em seus júris diversos músicos, compositores e curadores do jazz, de outros gêneros e adeptos ao ecletismo pós-moderno. Essa postura também possibilitou para que o Pulitzer se transformasse em um grande palco de peças criativas com caráter de elevada consciência em relação aos dramas e problemas socioculturais do nosso tempo. Dentro dessa nova postura de diversidade, segue abaixo algumas peças e obras das mais idiossincráticas, algumas registradas em álbuns e outras não, que já foram agraciadas pelo Pulitzer Prize nestes últimos tempos. Clique nos álbuns para ouví-los.



★ Wynton Marsalis - Blood on The Fields (oratorio for jazz big band and 3 vocalists) - Pulitzer Prize Winner in 1997
Essa peça, foi composta por Wynton Marsalis em 1994, gravada em 1995, mas foi revisada, acrescida e teve uma segunda première em 1997 no palco do Woolsey Hall, na Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut. O fato de a peça ter sido composta e gravada em anos anteriores, fez com que alguns membros da banca do Pulitzer não concordassem com a inclusão da peça no certame de 1997. Contudo, a forte influência do polêmico jovem Wynton Marsalis e o caráter expansivo, abrangente e estendido dessa composição foram mais do que suficiente para que a maioria considerasse essa obra como a ganhadora do Pulitzer em 1997. A peça, ambientada na temática da escravidão, é um oratório de jazz -- escrito para big band, solistas e três vocalistas -- que retrata a estória e os dramas de um casal de escravos, Jessé e Leona, que foram levados da África para a América. Em suas duas horas e meia de extensão, a peça mistura inúmeros elementos da música, da cultura e da história americana em suas sonoridades: desde elementos arcaicos como as work songs, os spirituals, o blues, a música indígena, o folk, o fiddle e etc...até elementos do jazz moderno e até ruidosidades, dissonâncias e cacofonias próximas ao avant-garde. Foi a primeira composição de jazz a receber um Pulitzer Prize, sendo considerado, portanto, um feito histórico. Essa peça de Wynton foi vencedora num certame que teve as peças "Dove Sta Amore" de John Musto e "Passacaglia Immaginaria" de Stanislaw Skrowaczewski entre as finalistas.



★ Ornette Coleman - Sound Grammar Pulitzer Prize Winner in 2007
Ornette Coleman é, dos grandes inventores do jazz, daqueles mestres que souberam manter sua inventividade sempre em alta. Seja em sua fase inicial quando ele foi um dos fundadores do free jazz. Seja em sua fase posterior onde ele uniu os conceitos do free jazz com elementos do fusion e do funk, criando a variante do "free-funk" nos anos 70 e 80. Seja em sua terceira fase final onde, entre atos e hiatos, de vez em quando ele surgia com um álbum de grande expressão. Este álbum é um exemplo: ele foi gravado ao vivo em Ludwigshafen, Alemanha, em 14 de outubro de 2005, após Ornette ter sofrido um hiato de quase 10 anos longe dos palcos e estúdios. Agora, aos 76 anos de idade, Ornette Coleman ressurgia -- tocando saxofone, violino e trompete -- com um curioso e inventivo quarteto acústico com bateria e dois contrabaixos. O set list mescla composições suas de outrora e novas criações cheias de citações a outros standards de jazz e temas eruditos como a Sagração da Primavera, de Stravinsky. O álbum figurou no topo das indicações e das críticas jornalísticas e em 2006 ganhou o Pulitzer Prize. Na verdade, e na opinião deste que vos escreve, este não é o mais inventivo ou mais criativo álbum de Ornette, mas o fato desse jazz master ressurgir aos 76 anos de idade com a mesma energia de outrora e com um álbum de grande expressão fez com que a banca do Pulitzer considerasse este registro como uma masterpiece digna de honra, afim de honrar, sobretudo, a história desse grande criador do jazz. Sound Grammar venceu outras duas peças finalistas: "Astral Canticle" de Augusta Read Thomas e "Grendel" de Elliot Goldenthal.



☆ Don Byron - "7 Etudes for Solo Piano" - Pulitzer Prize Finalist in 2009
Don Byron é um clarinetista e compositor criativo que começa a carreira ambientada na estética do m-base e no jazz avant-garde nova-iorquino, mas aos poucos vai adotando novas vias de expressão e novos hibridismos: sua discografia mostra resgates irônicos das tradições do swing jazz, da klezmer music judaica, do funk setentista de Junior Walker, do hip hop e etc. Nas últimas duas décadas, Don Byron se descola um pouco do jazz, propriamente dito, e adota uma postura mais pós-moderna de compositor erudito, com suas peças sendo estreadas e/ou gravadas por ensembles de sucesso tais como o Bang On A Can, Kronos Quartet, dentre outros. Neste álbum acima temos a sua peça "7 Etudes for Solo Piano", com o piano e voz de Lisa Moore. A peça, composta por sete estudos breves para piano -- com algumas intervenções vocais aqui e ali... -- foi a segunda finalista do Prêmio Pulitzer em 2009, perdendo a honra para o "Double Sextet" de Steve Reich, e estando à frente da terceira colocada "Brion" de Harold Meltzer.



★ Caroline Shaw - "Partita for 8 Voices" - Pulitzer Prize Winner in 2013
Uma das características da música erudita contemporânea produzida nos EUA é a linhagem pósminimalista-distópica que a nova geração dos anos 2000 e 2010 passou a exprimir ao ressignificar elementos medievais, barrocos e clássicos através de uma postura pós-moderna de congregar, ou até mesmo misturar, esses elementos antigos com processos criativos contemporâneos e elementos da cultura pop. Nos EUA usa-se, por vezes, o rótulo de "indie contemporary classical" para denominar essa música erudita independente produzida por essa nova geração, que vai do pop ao medieval, do clássico à eletrônica, e já não se limita em ter suas obras apreciadas apenas nos circuitos vitorianos dos grandes teatros, mas adota uma postura eclética onde se preza tanto em apresentar invenções clássicas trabalhadas ou retrabalhadas de forma idiossincrática em teatros tradicionais através de ensembles eruditos, como também em apresentar peças, manipulações, colagens, misturas e improvisações mais ecléticas em espaços alternativos, clubes, lofts, galerias de arte e até em raves de música eletrônica. E um dos grandes nomes dessa geração de jovens ecléticos é a compositora Caroline Shaw, que exprime uma estética um tanto pessoal na forma como mistura esses elementos, com uma clara predileção pelo uso da voz em sua obra. Neste registro acima, Caroline Shaw apresenta sua peça "Partita for 8 Voices" composta entre 2009 e 2013, que traz quatro movimentos baseados nas formas e danças das suítes barrocas: Allemande, Sarabande, Courante e Passacaglia. Mas não se trata de apenas resgatar elementos medievais e barrocos em suas formas autenticamente clássicas. Trata-se de inflexionar, retrabalhar e misturar esses elementos com visões, procedimentos idiossincráticos, ideias pessoais e até com elementos díspares que nada tem haver com a tradição clássica. A inflexão já começa pelo fato de que essas formas de danças barrocas vieram, sim, da cultura popular dos séculos 16 e 17, mas foram usadas  pelos compositores barrocos apenas em suítes instrumentais: não eram comumenta usadas para a seara, não eram usadas em madrigais, árias, corais ou outro tipo de peça vocal, onde as formas das missas acapella e dos corais luteranos eram mais comuns: então temos a instrumentalização da voz através de formas da suíte barroca -- a sacada já começa por aí... Ademais, Caroline Shaw também mistura o canto coral e os elementos barrocos com técnicas de garganta do canto katajjaq dos povos inuítes (dos esquimós, siberianos e outros povos do Hemisfério Norte) e inúmeras outras técnicas vocais estendidas e cria uma obra de hibridismo vocal impressionante. A peça foi inspirada pela obra Wall Drawing 305 do artista plástico minimalista Sol Lewit. O terceiro movimento da Partita, "III. Courante", foi usada em diversos momentos da emblemática série alemã "Dark", exibida pela Netflix. Essa peça de Caroline Shaw foi agraciada com um Pulitzer em 2013, vencendo as finalistas "Pieces of Winter Sky" de Aaron Jay Kernis e "Ten Freedom Summers" de Wadada Leo Smith (vide abaixo). Na ocasião Caroline Shaw tinha 30 anos de idade, sendo a mais nova compositora, dentre todos os compositores da história, a receber um Pulitzer Prize.



☆ Wadada Leo Smith - Ten Freedom Summers - Pulitzer Prize Finalist in 2013
Este impressionante registro foi abordado aqui no blog no post onde elencamos algumas das principais obras orquestrais da história do jazz..."Wadada Leo Smith explora, por meio de contemplativos e introspectivos sketches, várias temáticas em torno de figuras afro-americanas e em torno de fatos-chaves da luta contra a segregação racial e da história da democracia dos EUA: o caso do escravo Dred Scott (1799-1858); o processo que ficou conhecido como "Thurgood Marshall and Brown vs. Board of Education" (1954), onde conclui-se que era inconstitucional separar as crianças negras das crianças brancas nas escolas; o boicote de Rosa Parks que se recusou a levantar para dar lugar para uma pessoa branca em um ônibus de Montgomery; o evento que ficou conhecido como The March on Washington for Jobs and Freedom (1963), no qual Martin Luther King proferiu seu inesquecível discurso "I Have A Dream"; entre muitos outros acontecimentos que se tornaram peças-chaves no quebra-cabeça da luta contra a segregação racial e à favor da formação da democracia americana..." Clique 👉aqui para ler a resenha completa



Julia Wolfe - Anthracite Fields - Pulitzer Prize Winner in 2015
Este registro também já foi abordado aqui no blog, num post onde elencamos os principais nomes da música minimalista e do pós-minimalismo da passagem do século 20 para este início de século 21..."Anthracite Fields foi a obra que deu o Prêmio Pulitzer para a compositora Julia Wolfe, uma das lideranças à frente dos projetos o ensemble Bang On A Can e da gravadora Cantaloup Music: a peça -- que traz esse mesmo espírito de misturas de pop, vozes medievais, aspectos minimalistas e outras influências -- baseia-se em histórias contadas, entrevistas e discursos sobre a extração de carvão antracite na Pensilvânia. A peça homenageia, enfim, os trabalhadores que foram contaminados nessas minerações..." Clique 👉aqui para ler o post completo. A criativa Julia Wolfe, enfim, é uma das grandes compositoras a engrossar a lista de mulheres agraciadas pelo Pulitzer. Na ocasião, Julia Wolfe ficou à frente dos finalistas John Zorn (vide abaixo) e  Lei Liang.



☆ John Zorn - "The Aristos" (for violin, cello and piano) - Pulitzer Prize Finalist in 2015
Em 2015, para surpresa de muitos, o trio de John Zorn para violino, cello e piano intitulado "The Aristos" foi um dos finalistas do Pulitzer, ficando em segundo lugar atrás de "Anthracite Fields" de Julia Wolfe (abordado acima) e à frente da terceira colocada "Xiaoxiang" de Lei Liang. Esse reconhecimento do Pulitzer em relação à John Zorn é tardio, mas não sem tempo. John Zorn é um iconoclasta adepto ao ecletismo radical, indo do mais ruidoso avant-garde à mais melódica canção judaica, do jazz à livre improvisação, do punk hardcore à música erudita orquestral e camerística, da música elaborada em pauta ao happening e à colagem, temperando seu pós-modernismo com temáticas que vai do humor ao horror, da literatura ao misticismo, das mitologias gregas e judaicas às artes modernas, e etc. Aliás, pode-se dizer que John Zorn é, depois de Frank Zappa, um dos pioneiros desse total ecletismo pós-moderno que emerge da segunda metade do século 20 e influencia profundamente as artes nessa passagem para o século 21. Começando a sua carreira em fins do ano de 1970 no cenário underground do punk, da no wave e da música experimental na Downtown nova-iorquina, John Zorn por diversas vezes deu entrevistas criticando as manipulações midiáticas, as padronizações mainstream, as distrações e o comercialismo emburrecedor. Mas... ao contrário de muitos que apenas criticam e vociferam, Zorn sempre fez a sua parte, de forma diletante e obstinada: se tornou um dos maiores agitadores culturais do seu tempo; empreendeu um selo chamado Tzadik que aos poucos foi ampliando seu espaço e hoje é uma importante etiqueta da música contemporânea; e conseguiu expandir sua música para amplos horizontes, inclusive tendo suas composições estreadas por grandes ensembles e orquestras como, por exemplo, o Kronos Quartet, a Boston Symphony Orchestra e  International Contemporary Ensemble. O fato de o Pulitzer colocar essa sua peça "The Aristos" composta para trio (violino, cello e piano) como uma das finalistas ao prêmio, mostra o quanto a arte musical desse grande compositor eclético e experimental é viva o suficiente para suplantar todos os estigmas e paradigmas. A peça "The Aristos" foi registrada neste álbum indicado acima, Hen to "Pan" (Tzadik, 2015), trazendo em seu set list peças para cello e bateria, cello solo e essa peça para para violino, cello e piano, que na verdade o compositor intitulou como The Aristos — (Ten Metaphysical Ambiguities For Violin, Cello And Piano).


★ Henry Threadgill & Zooid - In for a Penny, In for a Pound - Pulitzer Prize Winner in 2016
Henry Threadgill é outro dos compositores iconoclastas que levou a composição jazzística para um patamar de inovação em termos de formações camerísticas e combinações contrapontísticas idiossincráticas: desde meados dos anos de 1970, suas bandas sempre tiveram formações e combinações instrumentais inusuais, além de trabalhar elementos advindos do free jazz e da música erudita moderna e contemporânea a partir das trilhas abertas pela Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM). Para essa sua suíte intitulada "In for a Penny, In for a Pound", Threadgill escala seu ensemble Zooid com uma combinação em quinteto com José Davila (trombone, tuba), Liberty Ellman (guitarra), Christopher Hoffman (violoncelo, violino), Elliot Humberto Kavee (bateria, percussão) e o próprio Threadgill (flauta, flauta baixo, saxofone alto), uma combinação um tanto peculiar, em relação aos combos mais usuais do jazz. Ainda mais peculiar é o estilo pessoal a partir do qual o compositor entrelaça, sobrepõe e contrapõe seus desenvolvimentos e improvisos. Em 2016, o Pulitzer justificou a escolha dessa peça com as seguintes palavras: "...a highly original work in which notated music and improvisation mesh in a sonic tapestry that seems the very expression of modern...", deixando claro um reconhecimento ao estilo genial com o qual Henry Threadgill entrelaça e contrapõe as sonoridades desses instrumentos. No certame desse ano de 2016, a peça de Henry Threadgill venceu as peças "The Blind Banister" do jovem compositor Timo Andres e "The Mechanics: Six from the Shop Floor" de Carter Pann. 



★ Du Yun - "Angel's Bone" - Pulitzer Prize Winner in 2017
A compositora chinesa, radicada em Nova Iorque, Du Yun é indiscutivelmente uma das maiores figuras da música erudita contemporânea deste início de século -- suas peças são impressionantes! Adepta às artes performáticas, ao audiovisual, ao jazz, à música pop chinesa e à confluência de ecletismos vários -- incluindo suas performances inovadoras para galerias de arte, suas experiências com sua banda de art-pop OK Miss e sua fixação pela eletrônica contemporânea e pela livre improvisação --, Du Yun traz para sua escrita erudita toda essa miríade de influências, fazendo das suas composições um campo minado das mais criativas imprevisibilidades. Em 2017, sua ópera "Algel's Bone", com libreto do poeta-escritor-dramaturgo Royce Vavrek, foi ganhadora do Prêmio Pulitzer e recebeu o seguinte elogio do júri: "...a bold operatic work that integrates vocal and instrumental elements and a wide range of styles into a harrowing allegory for human trafficking in the modern world...". A ópera vai do coral medieval a cacofonias vocais inexplicáveis, do arranjo bem elaborado à livres improvisações, com direito a intervenções de inúmeros espasmos em inúmeros estilos e formas de música. Com temáticas que incitam uma conscientização baseada nos dramas dessa atual distopia do mundo contemporâneo, Du Yun aborda e denota os complicados problemas do nosso tempo, tais como os preconceitos, o tráfico de pessoas, questões defendidas pelo feminismo, dentre outros temas. Da mesma forma, a compositora transcende, exacerba e extrapola em muito as sonoridades, os coloridos e os arranjos das suas composições, de forma que é impossível, para o ouvinte, ter uma audição indiferente. Na ocasião da sua honra lhe conferida pelo Pulitzer, a peça figurou no primeiro lugar à frente das peças "Bound to the Bow" de Ashley Fure e "Ipsa Dixit" de Kate Soper. 



★ Anthony Davis - "The Central Park Five" - Pulitzer Prize Winner in 2020
Anthony Davis é outro dos compositores contemporâneos ligados intimamente ao jazz e ao avant-garde já a partir da década de 70, tendo empreendido parcerias e colaborado com músicos legendários como Anthony Braxton, Marion Brown, Chico Freeman, Leroy Jenkins, George E. Lewis, Wadada Leo Smith, David Murray, dentre outros. Acostumado a lançar projetos musicais com teor de consciência social e política, Anthony Davis lança aqui sua ópera Central Park Five em dois atos:  o libreto é baseado no incidente de 1989 que ficou conhecido como Central Park Five Case, no qual uma mulher foi estuprada e espancada e outras oito pessoas ficaram feridas no Central Park de Nova York. Cinco adolescentes afro-americanos e hispânicos foram injustamente condenados por agressão e outras acusações: eles cumpriram anos de prisão, mas acabaram sendo exonerados quando o responsável pelos crimes confessou seus atos. O caso acabou revelando as entranhas do preconceito e discriminação racial -- estrutural e institucional --, da violência policial e das recorrentes condenações injustas. O grande elenco da ópera inclui: os cinco adolescentes; cinco de seus pais; Matias Reyes, o estuprador em série que provou ser o verdadeiro responsável pelos crimes; o promotor; um detetive genérico conhecido como "The Masque"; e até mesmo o personagem do Donald Trump, um então promotor imobiliário de Nova York, que publica vários anúncios de jornal de página inteira exigindo que se "trague de volta a pena de morte!". Com libreto de Richard Wesley, a ópera estreou em 15 de junho de 2019, na Long Beach Opera Company, na Califórnia, e em 4 de maio de 2020, Anthony Davis recebeu o Prêmio Pulitzer de Música pela peça, ganhando o pódio número um à frente da peça "...and all the days were purple" de Alex Weiser e "Sky: Concerto for Violin" de Michael Torke.



★ Tania León - "Stride" - Pulitzer Prize Winner in 2021
A compositora e maestrina cubana, radicada nos EUA, foi diretora do Dance Theatre of Harlem, para o qual escreveu peças para ballet já em evidente estilo próprio, e passou a empreender uma carreira de admirável pioneirismo de mulher afrodescendente nas atividades de regência e composição. Ligada ao Harlem e à atividade cultural de Nova Iorque, Tania León teve essa sua peça, intitulada Stride, encomendada pela Orquestra Filarmônica de Nova Iorque e pela Orquestra Sinfônica de Oregon como parte do "Project 19", que comissionou 19 peças de compositoras em homenagem ao centenário da ratificação da Décima Nona Emenda aos Estados Unidos, que deu o direito de voto às mulheres em 1920 após um longo processo levado à cabo pelas sufragistas desde meados do século 19. Além de Tania León, as compositoras que conhecemos que também participaram foram Caroline Shaw e Anna Thorvaldsdottir, das quais já falamos aqui no blog -- trata-se de um dos maiores comissionamentos musicais já realizados, além da nobre causa social em torno do projeto. Pois bem. "Stride" se torna, então, uma peça tão emblemática enquanto linguagem pessoal quanto adequada para o centenário da vitória sufragista, visto que retrata a escrita musical de uma compositora hiper criativa que é mulher e negra, e chama a atenção da crítica de forma convicta e imediata: o estilo de Tania León é, na maioria das vezes, um misto de reluzentes efeitos jazzísticos -- quase sempre implícitos -- com complexidade rítmicas, ostinatos intrincados e contrastes entre tonalidade e leves dissonâncias, como se tivesse compilando e misturando, de uma forma intrigantemente pessoal, elementos de Charles Ives, Stravinsky, Aaron Copland, Leonard Berstein e Elliott Carter, se transformando num estilo de identidade ideal em termos da modernidade criativa americana. Tania León teve essa sua peça "Stride" agraciada com um Pulitzer à frente da composição "Data Lords" de Maria Schneider e "Place" de Ted Hearne.



☆ Maria Schneider Orchestra - Data Lords - 
Pulitzer Prize Finalist in 2021
Como vimos acima Data Lords, composição da bandleader Maria Schneider para sua jazz orchestra, ficou em segundo lugar entre os finalistas do Pulitzer 2022, perdendo a premiação para "Stride" de Tania León. Mas considero que Maria Schneider não só teve aqui uma indicação tardia ao Pulitzer, como é mais do que previsível que ela ganhe outra chance nos próximos anos -- tamanho o requinte das suas peças. Em termos de estilo, Maria Schneider vem modelando sua arte musical desde os anos 90, quando passa a desenvolver seus temas orquestrais baseados nas texturas, sonoridades e arranjos de mestres bandleaders como Gil Evans e Bob Brookmeyer. Dessa forma, não demorou muito para a crítica perceber que Maria Schneider vinha se tornando uma inovadora da "big band" norte americana com uma concepção orquestral que valoriza mais as texturas cool, o imagetismo e o melodismo cinematográfico do que aqueles rompantes dançantes tradicionais, bem como busca uma atualização harmônica mais contemporânea em sinergia com as tonalidades do rock e do pop alternativo dos últimos tempos. Ao menos de dois em dois anos, a compositora e bandleader lança projetos e registros de expansão sonora não menos que admiráveis. Mas em "Data Lords" ela chega ao cúmulo da sua criatividade e do seu estilo, tanto em termos sonoros quanto em termos temáticos: a temática, retratada com seu imagetismo ainda mais arraigado, se situa entre o dilema da distopia dessa era da informática e cibernética -- com todos seus aplicativos, banco de dados, redes sociais e vidas projetadas de forma virtual e etc -- e a realidade do nosso cotidiano, da vida real, dos encontros reais que estão ficando escassos, da percepção da importância da natureza que está se perdendo...entre outras percepções que nós e as novas gerações estão correndo o risco de perder.


★ Raven Chacon - "Voiceless Mass" - Pulitzer Prize Winner in 2022                                                                                                                                    Raven Chacon é o primeiro compositor indígena americano a ganhar um Pulitzer, algo que demonstra o quanto o Pulitzer Prize adotou a riqueza da diversidade. É preciso frisar, contudo, que as exigências do prêmio continuam tão rígidas e meritocráticas quanto antes, quando apenas compositores eruditos brancos apegados às poéticas e estéticas formalistas de origem europeia -- ainda que de sonoridade americana -- eram agraciados. O que mudou foi o conceito de que a música criativa emana em todos os meios, em todas as populações -- negros, índios, brancos, imigrantes, jovens, velhos  e etc --, e em todas as poéticas e estéticas. E por isso precisou haver essa reparação tanto em termos da diversidade que não se tinha, quanto em termos da urgente necessidade de se situar ante ao ecletismo pós-moderno dos últimos tempos. Importante ressaltar, também, que quando o Pulitzer inclui uma peça de algum compositor entre as finalistas, é porque o mesmo já foi amplamente referenciado, citado e elogiado ante aos outros músicos, aos ensembles, à crítica especializada, sem mencionar as bolsas de incentivo concedidas, por exemplo, pela MacArthur Fellows. Raven Chacon, por exemplo, já vinha sendo amplamente reconhecido por sua agudez criativa através de peças estreadas pelo Kronos Quartet, de comissões como compositor residente no Native American Composers Apprenticeship, como ganhador da bolsa Creative Capital Visual Arts, com a homenagem Native Arts and Cultures Foundation National Artist Fellowship in Music, com um Prêmio de Berlim pela Academia Americana em Berlim, entre outras honrarias. Ademais, Raven Chacon também é um reconhecido artista plástico, improvisador, manipulador de eletrônica e performer, expondo suas peças, obras, instalações e performances em espaços como Bienal de Sydney, Kennedy Center, Whitney Biennial, Vancouver Art Gallery, Musée d'art contemporain de Montreal, San Francisco Electronic Music Festival, entre outros espaços e palcos. Essa versatilidade artística faz com que Raven Chacon aborde as temáticas dos indígenas nativos americanos de uma forma assustadoramente contemporânea. Da mesma forma, suas composições não se situam apenas no campo da escrita erudita "pura", mas inclui timbrísticas noise, texturas, improvisações livres, e  manipulações eletrônicas. Essa sua peça agraciada pelo Pulitzer,"Voiceless Mass", foi composta para órgão de tubos,  flauta, clarinete, clarinete baixo, dois percussionistas, cordas e ondas senoidais -- sendo que as ondas senoidais entram em cena apenas como um efeito textural eletrônico que se mistura em meio aos sons orgânicos para conferir uma sonoridade mais contemporânea à peça. "Voiceless Mass" foi composta, na verdade, especificamente para o órgão da Cathedral of St. John the Evangelist, em Milwaukee, e foi estreada nessa igreja em 21 de novembro de 2021 -- vide vídeo acima. Agraciada pelo Pulitzer, a peça ficou à frente das peças "Seven Pillars" de Andy Akiho e "eyes the color of time" de Anne Leilehua Lanzilotti.                                                                                                                              


Andy Akiho - Seven Pillars - Pulitzer Prize Finalist in 2022
Achei interessante listar essa obra acima, segunda finalista do Pulitzer Prize em 2022, como um exemplo de diversidade abordado pela banca examinadora desse grande prêmio da música. Isso porque, aqui o Pulitzer está honrando uma peça composta inteiramente para percussão, algo que também não é recorrente entre as peças finalistas nesses mais de 105 anos de história do prêmio. Andy Akiho, um percussionista e compositor fascinado pelas percussões de aço e metais em combinações cintilantes com vibrafones e marimbas, compõe aqui uma masterpiece de sonoridade não menos que exuberante, criativa e entusiasmante. Fascinado em elaborar sessões de percussão com steelpans -- tambores de aço ou "panelas de aço", de diferentes tamanhos afinadas em diferentes tons --, Andy Akiho criou todo um estilo e uma sonoridade inovadora em torno das suas composições. "Seven Pillar", por exemplo, é uma peça que escrita baseada em sete pilares criativos-conceituais que ditam as formas como essas percussões são combinadas, entrelaçadas e contrapostas, e é discorrida ao longo de 11 partes. Neste álbum acima, temos o registro da peça pelo Sandbox Percussion, um ensemble composto por quatro percussionistas que se revezam entre os vários instrumentos -- steelpans, objetos e instrumentos de metais e de aço, marimbas e etc.  Além da peça ter sido finalista do Pulitzer, o álbum foi indicado a dois prêmios Grammy: um na categoria de melhor composição clássica contemporânea, e a outra na categoria de melhor performance de música de câmara/pequeno conjunto pela performance arrebatadora do Sandbox Percussion. Ademais, para quem gosta de música contemporânea para percussão e outros sons exóticos, Andy Akiho é um dos compositores mais instigantes do nosso tempo: além das peças envolvendo as tais das "panelas de aço", o compositor escreveu peças para marimba e quarteto de cordas, para tarola e latidos de cachorro, e  até mesmo um concerto para jogadores de pingue-pongue e orquestra.