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Retrospectiva - The Best Albums of 2022: jazz, free improv, classical, experimental, electronic & brazilian music...

KIRK NUFFKE
Caminhamos calejados para 2023 e temos a esperança de um ano melhor em todos os âmbitos -- culturais, sociais, políticos e econômicos! O ano de 2022 foi um ano de retomada. As vacinas ficaram acessíveis para todos, o número de casos de COVID-19 diminuiu bastante em todos os países e as autoridades não viram a necessidade de se aplicar mais lockdowns, salvo alguma exceção muito crítica -- tal como ocorre agora na China. Por consequência ansiosamente esperada, os músicos voltaram aos shows, concertos e gravações, e puderam seguir adiante com seus projetos. Muitos desses projetos ainda refletem os sentimentos e sensações deixadas pela pandemia: alguns músicos voltaram-se mais para o espectro do meditativo e da reflexão, desacelerando-se quanto ao ímpeto da inquietude e daquela criatividade mais idiossincrática; enquanto outros revisitaram vossos baús de preciosidades e resgataram aquele tipo de projeto mais outsider, mais experimental, ou até mesmo aquele projeto mais nostálgico que em outros tempos de vida corrida pré-pandemia não fora possível de ser lançado. Contudo, muitos dos músicos mais inovadores seguiram dando vazão em seus projetos mais impactantes ou iniciaram um novo ímpeto criativo como uma forma, também, de seguir com a vida. O fato é que 2022 foi mesmo um ano de retomada. Aqui mesmo no blog resenhamos o maior número de lançamentos em muito tempo -- ainda que tenhamos ficado muito aquém de mostrar um panorama completo do que anda a acontecer nos universos do jazz, música improvisada, experimental, música eletrônica e música instrumental brasileira. Conseguimos abordar aqui projetos e álbuns de alguns dos principais músicos, bandas e ensembles contemporâneos! Abaixo lhes trago, então, uma lista de alguns dos álbuns mais interessantes resenhados aqui no Instrumental Verves. No demais, esperamos que nós, amantes de música instrumental, estejamos sempre juntos por aqui para acompanhar os músicos e as novidades que a grande mídia não mostra, e que só é possível acompanhar, mesmo, através de veículos especializados -- como este sítio e os outros links que aqui indicamos. Clique nos álbuns para ler ouvi-los e ler as respectivas resenhas! 
Que 2023 seja um ano de superação, saúde e boas novidades para todos, sempre com muita paz, muito amor e muita música!!!

 
The Best Brazilian Instrumental, Jazz & Free Improv Albums of 2022

Em 2022 elencamos aqui uma série de registros interessantes de músicos brasileiros hiper criativos que tiraram seus projetos do baú ou da cartola entre o período pandêmico de 2020 e 2022. Destaco aqui, entre eles, ao menos cinco exemplos lançados em 2022: o ótimo álbum Martelo (resenhado aqui no blog) do pianista mineiro Rafael Martini, onde combina-se temas de efeitos composicionais eficientemente bem estruturados com efeitos timbrísticos e efeitos eletrônicos; o álbum em dueto (ainda não resenhado aqui até o momento) Arco de Rio do pianista/ tecladista André Mehmari com a violinista/ rabequista Catarina Rossi, onde ambos aliam os timbres desérticos e sertanistas da rabeca brasileira com os timbres do piano e sintetizadores, criando um design sonoro que amalgama o arcaico com o contemporâneo; o inovador dueto da vocalista Tarita de Souza com o guitarrista e tecladista Rodrigo Bragança; o álbum misto de grooves e brasilidades do contrabaixista Michael Pipoquinha; e o álbum Coreografia do Encontro, onde o contrabaixista João Taubkin faz um encontro dos elementos da música popular com a música erudita de câmera. Já no campo do jazz e da música improvisada, destaco registros de alguns nomes tais como: o distinto trompetista Kirk Knuffke, que lançou o ótimo Gravity Without Airs com o contrabaixista Michael Bisio e o pianista Matthew Shipp; a fantástica jam band The Bogie Band, liderada pelo bandleader Stuart Bogie, que lançou o fantástico álbum The Prophets in the City com elementos de brass bands, eletrônica, livre improviso e composições e arranjos bem estruturados; a dobradinha de registros Amarylis & Belladona da guitarrista Mary Halvorson, onde ela faz uma intersecção da música improvisada com a música composicional mais camerística; o fantástico álbum Art.eria  onde o Acoustic Electronic Ensemble de Barcelona cria um arrojado e futurista design sonoro; o espiritual álbum de post-bop The 7th Hand do jovem sax-altoísta Immanuel Wilkins, revelação da Blue Note; o álbum onde o sax-altoísta Miguel Zenón cria uma cartografia musical da América Latina; entre outros exemplos que seguem abaixo.

Rafael Martini - Martelo (Savassi Festival Records, 2022)



Catarina Rossi & André Mehmari - Arco de Rio (Estudio Monteverdi, 2022)




Brad Mehldau - Jacob's Ladder (Nonesuch, 2022)

Rodrigo Bragança & Tarita de Souza - Improvisions I: Sand Castles (Pés de Vento)

Boris Kozlov - Firts Things First (Posi-Tone Records, 2022)

VEIN Trio - Our Roots (Indepedent, 2022)

Dave Gisler Trio with Jaimie Branch & David Murray - See You Out There (Intakt, 2022)

Joey Alexander - Origin (Mack Avenue Records, 2022)
Mary Halvorson - Amaryllis & Belladona (Nonesuch, 2022)

Amanda Whiting - Lost In Abstraction (Jazzman Records, 2022)

Michael Pipoquinha - Um novo tom (Umbilical Records, 2022)

Geoffrey Keezer & Friends - Playdate (MarKezz Records, 2022)

Oded Tzur - Isabela (ECM Records, 2022)

Art.eria - Acoustic Electronic Ensemble (2022)

Okkyung Lee/ Jérôme Noetinger/ Nadia Ratsimandresy - Two Duos (2022)

From Anew Dawn - Kyoto Jazz Massive (Extra Freedom, 2022)

Alex Sipiagin - Acent to the Blues (Posi-Tone Records, 2022)

Émile Parisien - Louise (ACT, 2022)

The Bogie Band - The Prophets in the City (Royal Potato Family, 2022)

John Escreet/ Pera Krstajic/ Anthony Fung - Cresta (2022)

Alexander Hawkins - Brake a Vase (Intakt, 2022)

David Binney - Tomorrow's Journey (Ghost Note Records, 2022)

Ches Smith - Interpret It Well (Pyroclastic Records, 2022)

Gordon Grdina's Nomad Trio - Boiling Point (Astral Spirits, 2022)

Carlos Niño & Friends - Extra Presence (International Anthem, 2022)

Kirk Knuffke Trio - Gravity Without Airs (Tao Forms, 2022)

Seabrook, Cleaver, Cooper-Moore - In The Swarm (Astral Spirits, 2022)

Vadim Neselovskyi - Odesa - Solo Piano (Sunnyside, 2022)


Immanuel Wilkins - The 7th Hand (Blue Note, 2022)


Jon Irabagon - Rising Sun (Irabbagast Records, 2022)


Barney McAll - Transitive Cycles (Extra Celestial Arts, 2022)


João Taubkin - Coreografia do Encontro (Tratore, 2022)


Miles Okazaki - Thisness (Pi Recordings, 2022)


Miguel Zenón - Música de Las Américas (Miel Music, 2022)


Daniel Villarreal - Panamá 77 (International Anthem, 2022)




The Sound Of Listening (Edition Records, 2022)


jaimie branch & Jason Nazary - Anteloper - Pink Dolphins (International Anthem)





No campo mais experimental dos trabalhos mais inclassificáveis destaco os seguintes álbuns abaixo. Destaco o  duo Radio Diaspora (do trompetista brasileiro Romulo Alexis, entrevistado aqui no blog meses atrás) que segue lançando suas explorações com sopros (trompete, flautas, boquilhas e outros sopros variados), bateria, samples e variados efeitos eletrônicos: o duo explora uma verve temática de aspectos afro-diaspóricos, expondo e exorcizando os signos em torno do preconceito racial num misto de improvisações e colagens com inúmeros samples e efeitos -- um trabalho experimental dos mais interessantes no campo da música improvisada e experimental no Brasil! Também achei muito impactante o álbum Blind (Brainfeeder, 2022) do DJ holandês Jameszoo, onde ele mistura eletrônica de rítmicas e arritmias anacrônicas com extratos de free music de uma forma não menos que inovadora! Destacamos também o compositor e tecladista brasileiro Fernando Moura, que lançou um conjuntos de entusiasmantes explorações eletrônicas que ele gestou no período pandêmico. Também resenhamos aqui o álbum ¡Ay! (RVNG, 2022) da DJ colombiana Lucrecia Dalt, onde ela mistura aspectos rítmicos e cancionistas da cultura popular colombiana com seus conceituais efeitos eletrônicos. E destacamos aqui também o álbum Music for Doing (Colorfield Records, 2022) do baterista de jazz Mark Guiliana, que tem feito um trabalho experimental e inovador no âmbito de misturar elementos da percussão e da bateria jazzística com a eletrônica contemporânea, baseando-se, por exemplo, nos registros de Squarepusher. 



Radio Diaspora - Ori (Brava, 2022)


Jameszoo - Blind (Brainfeeder, 2022)


Fernando Moura - Sozinho no Paraíso (Deck, 2022)


Lucrecia Dalt - ¡Ay! (RVNG, 2022)




Mark Guiliana - Music for Doing (Colorfield Records, 2022)


Carl Stone - Wat Dong Moon Lek (Unseenworlds Records, 2022)





Na música erudita contemporânea, tivemos muitas boas surpresas em 2022! No Brasil, o compositor André Mehmari (entrevistado recentemente aqui no blog) foi um dos destaques, tendo obras suas sendo estreadas e registradas pela Orquestra Sinfônica Brasileira (Suíte Meu Brasil) e Orquestra Bachiana Filarmônica Sesi-São Paulo (Portais Brasileiros No.2, obra estreada no Carnegie Hall sob a batuta do maestro João Carlos Martins),  e tendo o single de uma interessante peça sua sendo lançado Selo Sesc (vide a peça Iluminuras, clique abaixo para ouvi-la). No âmbito internacional, focamos aqui no blog em mostrar as últimas produções do que se rotula nos criativos circuitos americanos como "new music" e "indie contemporary classical music" através dos lançamentos dos selos New Amsterdam Records, Cantaloup Music e New Foscus Recordings, selos pelos quais podemos acompanhar obras de compositores como Judd Greenstein, Jason Treuting, Finola Merivale, Tyonday Braxton, entre outros. O selo inglês Nonclassical -- gerido pelo compositor e DJ Gabriel Prokofiev (neto do russo Sergei Prokofiev) -- também foi uma das fonte mais ricas de novos registros: o impactante álbum ilolli-pop (Nonclassical, 2022) de Alex Paxton é um dos destaques principais da gravadora! Outro destaque interessante em nossas pesquisas auditivas de 2022 foram as peças eruditas para percussão: foram lançados diversos álbuns interessantes nesse rico campo de exploração da música, e incluo como destaque abaixo álbuns seminais lançados por Jason Treuting (do Sō Percussion), pelo ensemble Third Coast Percussion e pelo Sandbox Percussion, que registra a obra ganhadora do Pulitzer Prize 2022 Seven Pillars, do compositor Andy Akiho. Também destaco abaixo o registro da peça experimental "peace places: kenyan memories" da compositora queniana Nyokabi Kariũki, uma das obras de 2022 mais elogiadas mundo afora.  Ademais, um dos compositores que deram o que falar em 2022 foi o americano Anthony Davis, que reapresentou sua ópera X: The Life and Times of Malcolm X no Teatro de Detroit com aclamação de crítica e teve essa sua obra prima registrada pelo selo BMOP/sound através da Boston Modern Orchestra Project.  O  álbum Telekinesis (New Amsterdam Records, 2022) de Tyondai Braxton também é super criativo e pode surpreender o ouvinte mais experimentado!



André Mehmari - Iluminuras (Selo Sesc, 2022)


Alex Paxton - ilolli-pop (Nonclassical, 2022)




Andy Akiho & Sandbox Percussion - Seven Pillars (Aki Rhythm Press, 2021)


Judd Greenstein & yMusic - Together (New Amsterdam Records, 2022)




 Third Coast Percussion - Perspectives (Cedille, 2022)

Nyokabi Kariũki - peace places: kenyan memories (SA Recordings, 2022)


Anthony Davis - X: The Life and Times of Malcolm X (BMOP/sound, 2022) - Boston Modern Orchestra Project


Jason Treuting - Nine Numbers (Cantaloupe Music, 2022) 


Finola Merivale - Tús (New Focus Recordings, 2022)


Tyondai Braxton - Telekinesis (New Amsterdam Records, 2022) 




Eren Gümrükçüoğlu - Pareidolia (New Focus Recordings, 2022)





Bergamot Quartet - In the Brink (New Focus Recordings, 2022)